Especialistas alertam que a escolha incorreta do travesseiro compromete o alinhamento da coluna cervical e impacta o descanso.
A Academia Brasileira do Sono (ABS) estima que cerca de 73 milhões de brasileiros sofram com distúrbios do sono e o conceito de dormir bem vai muito além da quantidade de horas dormidas. A qualidade do descanso está diretamente relacionada ao ambiente em que a pessoa dorme e, nesse contexto, um item frequentemente negligenciado pode fazer toda a diferença: o travesseiro.
Especialistas do Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER) alertam que a escolha inadequada do travesseiro pode comprometer o alinhamento da coluna cervical, favorecer dores musculares, desconfortos na região do pescoço e dos ombros e impactar negativamente a qualidade do sono. O problema ganha relevância diante do crescente número de brasileiros que relatam dificuldades para dormir e queixas relacionadas ao descanso insuficiente.
Embora muitas pessoas dediquem, corretamente, atenção à escolha do colchão, o travesseiro ainda costuma ser adquirido com base apenas em preferências subjetivas de conforto imediato, desconsiderando parâmetros técnico‑funcionais essenciais. A seleção adequada deve considerar variáveis como altura funcional, firmeza, capacidade de sustentação, como a espuma reage ao peso da cabeça e adequação à anatomia do usuário, além das características técnicas do material, que influenciam diretamente o desempenho e a durabilidade do produto.
“O travesseiro tem a função de manter a cabeça, o pescoço e a coluna cervical alinhados durante toda a noite. Quando esse suporte não é adequado, o corpo precisa compensar a posição incorreta, gerando tensão muscular, desconforto e até dores persistentes. Muitas vezes, a origem do problema não está apenas na postura ao longo do dia, mas também em horas seguidas de descanso inadequado”, afirma Cleriane Lopes Denipoti, diretora-executiva do INER.
A escolha ideal varia conforme características individuais, como biotipo, posição predominante ao dormir e necessidades específicas de suporte cervical. Pessoas que dormem de lado, por exemplo, geralmente necessitam de travesseiros mais altos para preencher corretamente o espaço entre a cabeça e os ombros. Já quem dorme de barriga para cima costuma se beneficiar de modelos de altura intermediária.
Segundo Guilherme Nunes Costa Quadri, especialista em Avaliação da Conformidade de Produtos do INER, o travesseiro deve ser encarado não apenas como um item de conforto, mas como um equipamento de suporte ergonômico, projetado para atuar diretamente na manutenção da postura cervical durante o sono.
“Quando falamos em qualidade do sono, é importante entender que o travesseiro exerce um papel técnico fundamental. Ele precisa manter o alinhamento da coluna cervical, distribuir adequadamente a pressão e oferecer estabilidade ao longo da noite. Um produto inadequado pode comprometer o descanso mesmo quando o colchão é de boa qualidade”, explica.
Quadri destaca ainda que o desempenho do travesseiro depende de fatores como altura, firmeza, comportamento da espuma sob o peso da cabeça e capacidade de retorno ao formato original, características que influenciam diretamente o suporte oferecido às estruturas musculares e articulares da região cervical. Quando essas variáveis não estão equilibradas, o corpo tende a compensar a postura, gerando tensões acumuladas e prejudicando a recuperação física durante o sono.
Além da escolha correta, especialistas alertam para a necessidade de substituir o travesseiro periodicamente e manter cuidados de higienização. Com o tempo, os materiais podem perder suas características originais de sustentação e acumular ácaros, poeira e umidade, comprometendo tanto o conforto quanto a saúde do usuário.
Certificação ajuda consumidor na escolha
Para ampliar a segurança e a confiança dos consumidores, o INER também inclui travesseiros no escopo de avaliação da certificação Pró-Espuma, programa que se tornou uma das principais referências nacionais em avaliação técnica voluntária de produtos destinados ao descanso.
Criado e coordenado pelo Instituto, o Pró-Espuma submete produtos a critérios técnicos rigorosos relacionados à qualidade dos materiais, desempenho, durabilidade e conformidade, complementando as exigências regulatórias existentes no mercado.
Para Quadri, a certificação voluntária ganha importância em um cenário onde muitos produtos parecem iguais, mas apresentam níveis muito distintos de qualidade. “O consumidor sente a sensação de conforto no primeiro contato, mas não consegue avaliar sozinho aspectos como durabilidade, resistência ou como o travesseiro se comporta depois de meses de uso. A certificação voluntária entra justamente para garantir essa clareza e dar confiança na escolha”, explica.
Para o INER, investir em um travesseiro adequado e certificado representa uma medida importante para preservar a saúde postural, melhorar a qualidade do sono e promover mais qualidade de vida. “Assim como acontece com o colchão, o travesseiro participa diretamente da recuperação física do organismo durante o sono. Quando escolhemos um produto adequado às necessidades do corpo, criamos condições mais favoráveis para um descanso realmente restaurador”, conclui Cleriane.
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