Conhecimento

Romance transforma tragédia em reflexão sobre amor e fragilidade humana

Maria Carolina Amendolara: a autora estreia no romance com Você vai ver que eu tenho razão, história que coloca parte da sua vida em perspectiva. Crédito: Mauricio França
Maria Carolina Amendolara: a autora estreia no romance com Você vai ver que eu tenho razão, história que coloca parte da sua vida em perspectiva. Crédito: Mauricio França

No livro "Você vai ver que eu tenho razão", a escritora Maria Carolina Amendolara utiliza a autoficção para refletir sobre saúde mental e luto

Data de Publicação: 08/ago/2026

Em uma terça-feira comum, Catarina recebe uma ligação com a notícia de que alguém havia caído do sexto andar do prédio onde o publicitário Fernando, seu ex-companheiro, morava. Ao tentar ligar para ele, a mensagem na caixa postal anunciava que a linha estava fora da área de cobertura. O recado antecedeu a constatação da morte da pessoa com quem dividiu 25 anos de alegrias, rupturas, realizações e desilusões.  
 
Em Você vai ver que eu tenho razão, romance da escritora Maria Carolina Amendolara, a história dos personagens é revisitada desde o início por meio de uma narrativa não linear que alterna entre duas linhas temporais: o presente e o passado, que retrocede até o fim dos anos 1990. Os capítulos recuperam os primeiros e-mails trocados, o nascimento da filha, o distanciamento do casamento e o desenvolvimento do quadro psicótico de Fernando, um dos fatores que culminaram na fatalidade. 

Autora de “Lados Inversos” (2023), Maria Carolina constrói uma linguagem íntima ao relatar elementos da própria vivência após a partida do ex-marido. Ela desenvolve uma autoficção que discute os tabus que cercam a saúde mental. A partir da figura de Fernando, a obra aborda a negligência dos transtornos mentais por parte do núcleo próximo, como familiares e amigos, e as falhas do sistema de cuidado.  

As palavras do livro funcionam como uma lupa que ampliam a experiência da psicose, revelando as obsessões por teorias conspiratórias e os traços de isolamento social que também se tornaram características de um homem conhecido por ser criativo e carismático.  

“Catarina era a pessoa que tinha ficado ao lado de Fernando em seu momento mais apavorante, quando ele havia sentido que a realidade tinha se perdido 
e outra cena se impunha, de pânico e terror”
 (Você vai ver que eu tenho razão, p. 259) 

A busca pelo entendimento sobre o óbito de Fernando colide com os questionamentos acerca da ética médica. Catarina entra em uma investigação própria e a narrativa expõe a conduta inadequada, o conflito de interesses e a manipulação por trás dos acontecimentos. Conforme a trama retoma para os momentos mais recentes, a complexidade do luto vira eixo central com passagens dos personagens pelo turbilhão de sentimentos que envolvem a perda de um ente querido.  

Partindo de uma história de amor, Você vai ver que eu tenho razão ressignifica uma tragédia pessoal em literatura através de um enredo que entrelaça desejo, culpa e reconstrução. “Penso que, com essa obra, os leitores poderão refletir um pouco mais sobre os limites da normalidade, sobre a importância de estarmos atentos para a questão da doença mental que, em alguns casos, se for tratada de forma ética e responsável, pode fazer com que os sujeitos tenham uma vida funcional em sociedade”, afirma Maria Carolina Amendolara

FICHA TÉCNICA 
 
Título: Você vai ver que eu tenho razão 
Autor: Maria Carolina Amendolara 
Editora: Giostri 
ISBN/ASIN: 978-65-5927-672-1 
Páginas: 281 
Preço:  R$ 89 
Onde comprar: GiostriLivraria da TravessaLivraria Martins FontesGloboBooksLivraria da Vila eAmazon 

Assista ao nosso episódio “Luto, legado e herança” para se aprofundar mais no assunto:

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