Saúde e Bem Estar

O que você faz aos 40 pode definir sua autonomia aos 70

Com a expectativa de vida em 76,6 anos, o desafio atual é envelhecer com saúde. Especialista mostra como escolhas aos 40 anos são cruciais para garantir autonomia no futuro. Crédito: FreePik
Com a expectativa de vida em 76,6 anos, o desafio atual é envelhecer com saúde. Especialista mostra como escolhas aos 40 anos são cruciais para garantir autonomia no futuro. Crédito: FreePik

Celebrado em 5 de agosto, o Dia Nacional da Saúde amplia o debate sobre por que prevenir doenças, preservar músculos e cuidar do metabolismo na meia-idade pode influenciar mais de uma década de vida saudável

Data de Publicação: 05/ago/2026

A expectativa de vida no Brasil chegou a 76,6 anos em 2024, segundo dados divulgados pelo IBGE em 2025, mas viver mais já não é o único desafio da medicina. No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, especialistas chamam atenção para a necessidade de antecipar os cuidados e defendem que as escolhas feitas a partir dos 40 anos podem influenciar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida nas décadas seguintes. 

Lucas Rezende, médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva, atua à frente da ARC Health Place, clínica de São Paulo especializada em saúde metabólica e longevidade. Sua prática é voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, por meio de avaliação clínica, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida. “A prevenção aos 40 anos permite avaliar massa muscular, composição corporal, metabolismo, pressão arterial, sono, alimentação e atividade física enquanto ainda há tempo para mudar a trajetória das próximas décadas”, afirma.

Um caso recente ajuda a traduzir essa mudança de comportamento. Aos 47 anos, Fabiano Menotti, da dupla com César Menotti, revelou em 2025 ter perdido cerca de 40 quilos ao longo de dois anos. O cantor relatou mudanças na alimentação, prática de exercícios e acompanhamento médico, além de maior disposição após o processo. A transformação ganhou repercussão em uma faixa etária na qual o cuidado com a saúde passa a ter impacto crescente sobre o envelhecimento.

O caso não representa uma regra clínica, mas ilustra por que os cuidados depois dos 40 deixaram de estar relacionados apenas à estética. De acordo com Lucas, preservar a capacidade funcional também precisa entrar nessa discussão. “Aos 40, a pergunta não deve ser apenas quanto a pessoa pesa, mas como estão a força, a massa muscular, o metabolismo e os fatores de risco que podem determinar sua saúde aos 60, 70 e 80 anos”, explica.

Os riscos começam antes dos sintomas
Uma das principais evidências recentes sobre fatores de risco na meia idade foi publicada em 2025 pelo New England Journal of Medicine. O Global Cardiovascular Risk Consortium analisou 2.078.948 pessoas de 39 países e considerou cinco fatores aos 50 anos: hipertensão arterial, alterações do colesterol, peso inadequado ou obesidade, diabetes e tabagismo.

Mulheres sem nenhum desses fatores aos 50 anos apresentaram, em média, 14,5 anos adicionais de vida em comparação com aquelas que se reuniam todos eles. Entre os homens, a diferença chegou a 11,8 anos. A ausência desses riscos também esteve associada a mais de uma década adicional livre de doenças cardiovasculares.

Cinco fatores que pesam na longevidade
O estudo identificou ainda benefícios associados à mudança de fatores de risco durante a meia idade. Para o médico, o resultado reforça a importância de agir antes do diagnóstico de uma doença. “Prevenção significa identificar riscos modificáveis antes que eles tenham tempo de produzir consequências maiores”, afirma Rezende.

Na prática, o acompanhamento da saúde depois dos 40 pode considerar histórico familiar, pressão arterial, glicemia, colesterol, composição corporal, alimentação, sono e atividade física. A necessidade e a periodicidade dos exames dependem do histórico clínico e dos fatores de risco individuais.

Músculo vira reserva para o futuro
A preservação muscular ganha relevância com o passar dos anos por estar relacionada à força, mobilidade e independência física. Por isso, o exercício depois dos 40 deixa de ser uma questão apenas de peso ou estética e passa a fazer parte das estratégias para um envelhecimento saudável.

“Preservar massa muscular, acompanhar a saúde metabólica, controlar fatores cardiovasculares, dormir adequadamente e manter uma alimentação compatível com as necessidades individuais são decisões que acumulam efeitos ao longo do tempo”, diz o médico e especialista em medicina preventiva.

Com o aumento da expectativa de vida, o desafio não é apenas viver mais, mas preservar independência e capacidade física por mais tempo. Para Rezende, os cuidados adotados aos 40 podem ajudar a definir como uma pessoa chegará às décadas seguintes.

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