Especialista explica o que é a lombalgia, quando a dor preocupa e como fortalecer a musculatura pode ajudar na prevenção e tratamento
A internação do cantor Pepeu Gomes após um quadro de lombalgia trouxe atenção para uma das condições musculoesqueléticas mais comuns da população. A lombalgia é caracterizada pela dor na região inferior da coluna e pode surgir tanto por crises agudas quanto por processos progressivos de desgaste, instabilidade e sobrecarga da musculatura lombar.
Segundo o fisioterapeuta e osteopata Laudelino Risso, CEO da rede Doutor Hérnia, a lombalgia não está relacionada apenas ao excesso de esforço físico, mas também à perda da capacidade de sustentação muscular da coluna ao longo do tempo. “A região lombar possui músculos profundos responsáveis pela estabilidade do conjunto vertebral. Quando essa musculatura perde força e sustentação, a coluna fica mais vulnerável a inflamações, travamentos e dores”, explica.
Entre os principais fatores de risco estão sedentarismo, excesso de tempo sentado, postura inadequada, falta de fortalecimento muscular e movimentos repetitivos realizados sem estabilidade biomecânica adequada.
O que é a lombalgia?
A lombalgia é a dor localizada na região lombar, parte inferior da coluna. Ela pode surgir por desequilíbrios musculares, excesso de tempo sentado, postura inadequada, sedentarismo, movimentos repetitivos ou sobrecargas mecânicas.
De acordo com o especialista, a região lombossacra possui músculos como espinhais, multífidos e eretores da coluna, fundamentais para manter a sustentação do tronco e proteger as articulações vertebrais. “O problema é que posições mantidas por muito tempo, seja sentado ou em pé, podem favorecer infiltrações gordurosas nesses músculos. Quando isso acontece, eles perdem capacidade de sustentação e algumas vértebras passam a ficar mais frágeis e hipermóveis em determinados movimentos”, afirma.
Como cuidar da coluna e evitar a progressão da dor
Segundo Risso, a maior parte dos casos de lombalgia e até de hérnia de disco responde bem ao tratamento conservador quando o diagnóstico é precoce. Entre as principais orientações estão fortalecimento muscular, correção postural e prática regular de exercícios físicos orientados.
O profissional alerta ainda que nem toda atividade física é indicada da mesma forma para todos os pacientes com lombalgia. Pessoas com aumento das curvas da coluna ou sinais de instabilidade precisam de treinos específicos para compensar alterações musculares e ligamentares. “Precisamos considerar a individualidade de cada caso. Algumas colunas necessitam inicialmente de exercícios voltados para estabilização muscular antes de atividades de maior impacto, como corrida, futebol ou determinados treinos”, explica.
Exercícios de fortalecimento do core, extensões de tronco, fortalecimento abdominal e do assoalho pélvico ajudam a melhorar a sustentação da coluna e a distribuição das cargas do corpo.
Confira algumas medidas importantes para proteger a região lombar:
• fortalecer a musculatura abdominal, lombar e glútea;
• ajustar postura e ergonomia no trabalho, principalmente para quem passa muitas horas sentado;
• evitar carregar peso de forma unilateral;
• dobrar os joelhos ao pegar objetos no chão;
• manter rotina de movimento e evitar sedentarismo;
• procurar avaliação especializada em casos de dor persistente ou irradiada para pernas.
“Os músculos não têm apenas a função de gerar movimento. Eles também sustentam o sistema esquelético. Quando conseguimos melhorar essa sustentação, a coluna ganha mais estabilidade e proteção”, finaliza o fisioterapeuta.