Saúde e Bem Estar

Genética não é destino: entenda o quanto seus genes realmente influenciam sua saúde

Um estudo publicado na Nature Medicine¹ demonstrou que indivíduos com alto risco genético para doenças cardiovasculares pode reduzir significativamente esse risco ao adotar um estilo de vida saudável.

Data de Publicação: 10/abr/2026

A ideia de que a saúde está totalmente “escrita no DNA” vem sendo cada vez mais questionada pela ciência. Hoje, especialistas apontam que o risco para doenças é resultado de uma combinação entre fatores genéticos e ambientais e que, na prática, o estilo de vida pode ter um impacto tão importante quanto a herança genética.
Esse conceito é conhecido como herdabilidade, que mede o quanto de uma característica pode ser explicada pela genética dentro de uma população. Mas isso não significa que uma condição será obrigatoriamente desenvolvida.

“A genética indica tendência, não destino. O ambiente e os hábitos de vida têm papel fundamental na forma como esses genes se expressam”, explica Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa. Na prática, a herdabilidade ajuda a entender o peso da genética, mas não define o resultado individual.
 
Um exemplo simples é o de irmãos da mesma família: eles compartilham boa parte dos genes, mas podem ter saúde completamente diferente dependendo dos hábitos ao longo da vida. Isso acontece porque, mesmo com predisposição genética, fatores como alimentação, atividade física, sono e estresse influenciam diretamente quais genes serão mais ou menos ativados.
Doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares são consideradas multifatoriais, ou seja, envolvem a interação entre múltiplos genes e fatores externos, como alimentação, sedentarismo, sono e estresse.

Um estudo publicado na Nature Medicine¹ demonstrou que indivíduos com alto risco genético para doenças cardiovasculares pode reduzir significativamente esse risco ao adotar um estilo de vida saudável.Outro estudo, publicado no New England Journal of Medicine², analisou a relação entre variantes genéticas incluindo o gene FTO, frequentemente associado à obesidade e o desenvolvimento da condição.
Os resultados mostram que, embora exista influência genética, fatores ambientais continuam sendo determinantes, reforçando que o risco não é definido apenas pelo DNA.

Genética na prática: mitos, verdades e curiosidades
Para além dos conceitos, a herdabilidade também ajuda a explicar diferenças curiosas entre características e doenças:

  • Obesidade: em média, o componente ambiental tem grande peso. No entanto, em casos de obesidade mais severa, a influência genética tende a ser maior e mostra que o peso dos genes pode variar dentro da própria condição.
  • Felicidade: estudos indicam que existe componente genético no bem-estar, com evidências de que essa influência pode variar entre homens e mulheres, embora ainda seja um campo em investigação.
  • Doenças psiquiátricas: condições que parecem semelhantes podem ter herdabilidades muito diferentes. O transtorno bipolar, por exemplo, apresenta maior influência genética, enquanto a depressão tende a ter maior peso de fatores ambientais.

Esses exemplos mostram que não existe uma regra única: cada característica ou doença tem uma combinação própria entre genética e ambiente.

O que é o score de risco genético?
Com o avanço da genômica, surgiram ferramentas que ajudam a entender melhor essa relação. Uma delas é o Polygenic Risk Score (PRS), ou score de risco genético, que analisa milhares de variações no DNA para estimar a predisposição a determinadas doenças.

Um estudo publicado na Nature Genetics³ mostrou que esse tipo de análise pode identificar indivíduos com risco até três vezes maior para doenças comuns, como problemas cardiovasculares. “Esse score funciona como um indicador de risco. Ele não é um diagnóstico, mas ajuda a antecipar cuidados e direcionar estratégias de prevenção”, explica Di Lazzaro.

O papel do estilo de vida
Apesar dos avanços da genética, a ciência é clara ao apontar que hábitos cotidianos continuam sendo decisivos. Alimentação equilibrada, prática de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse podem reduzir significativamente riscos, mesmo em pessoas com predisposição genética elevada.Ao combinar informações genéticas com fatores de estilo de vida, é possível compreender melhor as predisposições individuais e adotar estratégias mais personalizadas de cuidado ao longo do tempo.

O que a ciência já sabe
O principal consenso entre especialistas é que saúde não é definida apenas pela genética. O DNA fornece informações importantes, mas o ambiente é responsável por ativar, silenciar ou modificar a forma como esses genes se manifestam.Na prática, isso significa que conhecer a própria genética pode ser um aliado importante na prevenção, mas não substitui escolhas saudáveis no dia a dia.

Referências

  1. Link
  2. Link
  3. Link

Fonte: Dasa/Bowler

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