Carreira

Fim da escala 6×1 amplia debate sobre gestão de pessoas e adaptação das empresas

Momento exige planejamento estratégico e capacidade de adaptação das empresas. Crédito: FreePik
Momento exige planejamento estratégico e capacidade de adaptação das empresas. Crédito: FreePik

Proposta de redução da jornada sem corte salarial reforça papel estratégico do RH na reorganização operacional, produtividade e retenção de talentos

Data de Publicação: 28/maio/2026

A discussão sobre a flexibilização e o possível fim da escala 6×1 no Brasil tem mobilizado empresas, trabalhadores e representantes do setor produtivo. Mais do que uma transformação nas relações de trabalho, a proposta de redução da jornada semanal sem diminuição salarial traz impactos diretos para a estrutura operacional das companhias e amplia o papel estratégico das áreas de Recursos Humanos na adaptação ao novo cenário econômico. 

Na prática, a mudança mantém os salários atuais, mas reduz a carga horária semanal dos trabalhadores. De acordo com notas técnicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre jornadas de trabalho, a redução de horas sem alteração salarial eleva o custo unitário do trabalho. Esse impacto financeiro e operacional é sentido de forma mais intensa em setores que concentram a maior parte da força de trabalho formal do país e que operam com regimes de turnos rígidos. Dados coletados entre 2025 e o início de 2026 pelo IBGE, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), apontam que os segmentos de comércio, reparação de veículos e serviços de alojamento e alimentação respondem por mais de 25% dos empregos formais no Brasil, sendo as áreas com maior complexidade para a reorganização de escalas. 

O momento exige planejamento estratégico e capacidade de adaptação das empresas. Além da revisão de escalas e turnos, as organizações precisarão investir em produtividade, automação de processos e modelos de gestão mais eficientes para absorver os reflexes operacionais. 

Para Heliana Silva, country manager da SGF Global no Brasil, o debate exige uma atuação mais analítica das lideranças de RH. “O possível fim da escala 6×1 representa uma transformação importante nas relações de trabalho e exige das empresas uma visão estratégica sobre gestão de pessoas, produtividade e sustentabilidade operacional. O RH passa a ter um papel ainda mais relevante na construção de modelos que conciliem bem-estar dos colaboradores, eficiência e segurança jurídica”, afirma. 

A executiva destaca que empresas que se anteciparem às mudanças terão mais condições de atravessar o período de transição com estabilidade. “Não se trata apenas de adequação trabalhista. As organizações precisam revisar estruturas, avaliar impactos financeiros, redimensionar equipes e investir em planejamento. Quem começar esse movimento agora terá mais segurança para proteger margens e manter competitividade”, completa Heliana. 

Entidades empresariais e representantes do setor produtivo defendem cautela, alertando que o aumento nos custos de contratação e a necessidade de novas contratações para cobrir os dias de descanso podem pressionar especialmente as micro e pequenas empresas, que possuem menor margem para absorver flutuações de custos operacionais. 

Por outro lado, análises técnicas voltadas ao mercado produtivo indicam caminhos para mitigar esses impactos por meio do ganho de eficiência. Estudos setoriais publicados entre 2025 e 2026 pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) apontam que jornadas de trabalho exaustivas geram custos ocultos severos para as empresas, como taxas elevadas de absenteísmo, alta rotatividade (turnover) e queda na qualidade da entrega, ou seja, a reorganização dos processos internos e a otimização do tempo produtivo são capazes de compensar a redução de horas, mantendo a competitividade das empresas de médio e grande porte. 

Relatórios globais da OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgados no ano passado, também revelam que a tendência de redução das jornadas de trabalho está diretamente vinculada à aceleração digital e à automação industrial. Os dados institucionais demonstram que países e blocos econômicos que implementaram regimes de maior flexibilidade e descanso registraram, historicamente, saltos de inovação tecnológica interna e maior retenção de profissionais altamente qualificados, redefinindo o padrão de sustentabilidade das operações de mercado. Ao conduzir o processo de transição, a área de gestão de pessoas torna-se peça-chave na redefinição da dinâmica e da competitividade no mercado de trabalho brasileiro. 

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