Enquanto empresas disputam a Gen Z, público 50+ já responde por até 25% do consumo e deve redefinir o mercado nas próximas décadas
Em meio à corrida das marcas para conquistar as novas gerações, um movimento mais silencioso e muito mais relevante vem redesenhando o consumo no Brasil. Segundo estudo da consultoria Data8 de 2025, o público com mais de 50 anos já movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano, o equivalente a aproximadamente 25% de todo o consumo das famílias.
E esse número não para de crescer. Impulsionado pelo aumento da longevidade e pelas mudanças demográficas, o consumo desse grupo deve dobrar nas próximas décadas, consolidando a chamada Economia Prateada como uma das principais forças do mercado.
Apesar disso, a maioria das empresas ainda trata esse público como secundário, uma miopia que esconde uma das maiores oportunidades de crescimento do mercado brasileiro.
Mais do que renda, o consumidor 50+ se destaca por comportamento. Trata-se de um público mais fiel às marcas, mais criterioso nas escolhas e cada vez mais digital, características que desafiam estereótipos e exigem uma revisão das estratégias de comunicação, produto e experiência.
“O erro está em olhar para esse público como nicho. Na prática, estamos falando de escala e recorrência de consumo. Enquanto o mercado disputa atenção no curto prazo, existe um crescimento consistente acontecendo na base da pirâmide etária”, afirma Mórris Litvak, fundador e CEO da Maturi, empresa focada em longevidade e diversidade etária.
Hoje, mais de 50 milhões de brasileiros têm 50 anos ou mais e influenciam diretamente decisões de compra em praticamente todos os setores, de saúde e beleza a turismo e serviços financeiros. Ainda assim, poucas marcas desenvolveram estratégias consistentes para dialogar com esse público de forma relevante.
Na avaliação de especialistas, parte desse atraso vem da forma como o tema ainda é tratado dentro das empresas. A longevidade costuma aparecer como pauta de diversidade ou responsabilidade social, quando, na prática, deveria ser encarada como vetor de crescimento. “A diversidade etária ainda é pouco explorada como estratégia de negócio. Quando bem trabalhada, ela impacta inovação, comunicação e resultado”, diz Litvak.
Esse movimento já começa a ganhar tração em algumas companhias, especialmente entre aquelas que perceberam que o envelhecimento da população não é uma tendência futura, mas uma realidade em curso, e que o consumidor maduro exige abordagens mais sofisticadas, personalizadas e autênticas.
Ao mesmo tempo, cresce o interesse do mercado em entender melhor esse público. Iniciativas, estudos e eventos voltados à longevidade vêm ganhando espaço justamente por traduzirem esse comportamento em oportunidades concretas para marcas.
Um exemplo é o MaturiFest, festival dedicado a trabalho, empreendedorismo e longevidade ativa, que acontece em agosto, em São Paulo. O encontro, que está em sua 9.ª edição, reúne empresas e profissionais interessados em debater com cases, painéis e conexões reais como se aproximar do público 50+ e reflete um movimento crescente de reconhecimento do tema dentro do ambiente corporativo. Para saber mais, acesse o site MaturiFest 2026.
No fim das contas, o cenário aponta para uma mudança estrutural, o Brasil está envelhecendo e o consumo também está se transformando. Para as marcas, ignorar esse movimento já não é mais uma escolha estratégica, mas um risco competitivo.