No Dia Mundial da Saúde, abuso do uso de medicamentos para dormir acende debate sobre riscos e alternativas no tratamento
No Dia Mundial da Saúde (7/4), um dado chama atenção: cerca de 7 em cada 10 brasileiros apresentam algum tipo de alteração no sono¹. Em meio ao aumento da ansiedade, do estresse crônico e da exaustão, dormir mal deixou de ser um problema pontual e para se consolidar como um desafio contínuo de saúde pública. O avanço da insônia acompanha o agravamento da saúde mental da população. Durante a pandemia, os casos de ansiedade e depressão cresceram 25% no mundo², condições associadas à piora da qualidade do sono. A insônia, nesse quadro, passa a atuar tanto como sintoma quanto como fator de agravamento desses transtornos.
O aumento dos distúrbios do sono também tem levado ao aumento do uso de medicamentos para dormir, especialmente os hipnóticos não benzodiazepínicos, conhecidos como “drogas Z”. Estudos apontam que o consumo dessas substâncias cresceu durante a pandemia³, o que acende um alerta para o uso prolongado sem acompanhamento clínico adequado. Uma diretriz clínica recente da Academia Brasileira de Neurologia (ABN)⁴, com o apoio da Apsen e baseada em um consenso entre especialistas, reforça os riscos do uso contínuo dessas medicações, como dependência, tolerância e efeito rebote — quando a interrupção leva à piora da insônia. O documento também aponta maior vulnerabilidade em grupos como mulheres, profissionais da saúde e pessoas com transtornos mentais.
Consenso sobre o desmame
Especialistas defendem a revisão das estratégias de tratamento com foco em abordagens sustentáveis, como higiene do sono e intervenções comportamentais. Quando necessário, o desmame de medicamentos deve ser gradual e sempre acompanhado por um médico, evitando interrupção abrupta que pode intensificar os sintomas⁴. consenso também menciona o uso de alternativas farmacológicas temporárias, como a trazodona, remelteona e pregabalina em contextos específicos e sob avaliação clínica4.
Quando a insônia exige atenção
A insônia deve ser investigada quando se torna frequente e impacta a qualidade de vida⁴. Sinais de alerta incluem:
Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação médica e evitar automedicação⁴.
O Passo a passo para melhorar o sono
Medidas baseadas em higiene do sono — práticas amplamente recomendadas na abordagem clínica da insônia — podem ajudar a regular o sono e reduzir a necessidade de intervenções medicamentosas⁴:
Referências:
Fonte: Apsen/Tino Comunicação
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