A reposição hormonal deve ser encarada como um tratamento médico individualizado, e não como solução genérica para cansaço ou queda de desempenho. Crédito: divulgação
A reposição hormonal deve ser encarada como um tratamento médico individualizado, e não como solução genérica para cansaço ou queda de desempenho. Crédito: divulgação

Saúde e Bem Estar

Baixa testosterona: entenda quando a terapia de reposição hormonal masculina é necessária e quais são os riscos

Especialista explica quando a terapia é indicada, os possíveis efeitos colaterais e os impactos na fertilidade masculina

Data de Publicação: 10/maio/2026

A Terapia de Reposição Hormonal Masculina (TRT) chama cada vez mais a atenção dos homens. Isso porque, à primeira vista, ela pode ser identificada como uma solução para aqueles que possuem baixa testosterona, sendo confundida, muitas vezes, como otimização ou melhora estética do desempenho sexual. Porém, o que muitas pessoas do sexo masculino ignoram é o fato de ela ser um tratamento médico para uma condição clínica bem definida.

De acordo com o médico urologista e andrologista Dr. Pedro Bastos, a TRT consiste na administração de testosterona para homens com deficiência comprovada do hormônio, associada a sintomas clínicos. Isso quer dizer que nem todo homem com baixa testosterona precisa iniciar a reposição hormonal; a decisão depende da presença de sintomas, da confirmação laboratorial e do contexto clínico global de cada paciente.

Apesar de ser um tratamento seguro quando bem conduzido, a terapia de reposição hormonal pode apresentar efeitos colaterais. Entre os principais estão o aumento da quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, além de acne, oleosidade da pele, retenção de líquidos, ginecomastia, em alguns casos, e a redução da produção natural de testosterona. A terapia é segura quando bem indicada e acompanhada, mas não deve ser iniciada sem avaliação médica especializada”, explica. 

Para Bastos, quando corretamente indicada, a reposição hormonal pode trazer benefícios importantes, como melhora da libido e da função sexual, aumento da energia e disposição, ganho de massa muscular e força, redução da gordura corporal e impacto positivo na densidade óssea, no humor e na qualidade de vida. De forma geral, os benefícios tendem a ser progressivos e dependem de acompanhamento adequado.

Antes de iniciar o tratamento, é necessária uma avaliação clínica e laboratorial completa. Entre os exames mais comuns está a medição da testosterona total — feita pela manhã, em duas coletas —, além de análises que ajudam a entender como o hormônio circula no organismo e como o corpo está funcionando de forma geral, incluindo indicadores hormonais, metabólicos e da saúde do sangue. Também são avaliados níveis de glicose e colesterol e, em alguns casos, o PSA, um exame relacionado à saúde da próstata, especialmente em homens acima dos 45 anos e com fatores de risco.”

Impacto na fertilidade exige atenção
Um dos pontos de alerta em relação à terapia é o impacto na fertilidade masculina. Isso porque a testosterona exógena pode impedir a produção de espermatozoides, conforme explica o urologista: “A reposição hormonal pode levar à infertilidade temporária ou, em alguns casos, prolongada. Por isso, homens que pretendem ter filhos devem ser avaliados com cautela. Nesses casos, é possível considerar alternativas terapêuticas que preservem a espermatogênese, dependendo do perfil e dos objetivos do paciente”, ressalta.

Vale lembrar que nem sempre a reposição hormonal é o único caminho para a falta de libido. A depender da causa da baixa testosterona após os exames, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes para reverter o quadro, como, por exemplo, melhora do sono, alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos, assim como o tratamento de comorbidades, entre elas obesidade e resistência insulínica, que podem ter impacto direto na produção hormonal.

Para os pacientes que iniciam a terapia, o acompanhamento médico regular é indispensável, com avaliação dos níveis de testosterona, controle do hematócrito, acompanhamento do PSA e análise da evolução dos sintomas, especialmente nos primeiros meses.

O principal alerta está no uso indiscriminado da testosterona. A reposição hormonal deve ser encarada como um tratamento médico individualizado, e não como solução genérica para cansaço ou queda de desempenho. A indicação adequada é o que define quem realmente se beneficia da terapia, evitando riscos desnecessários”, finaliza o médico urologista e andrologista, Dr. Pedro Bastos.

Sobre o Dr. Pedro Bastos (CRM-MG 48089 | RQE 31390)

Dr. Pedro Bastos é médico urologista, com formação em Urologia pela Santa Casa de Belo Horizonte e membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da American Urological Association (AUA). Atua nas áreas de urologia e andrologia, com foco em cirurgias minimamente invasivas e no tratamento de condições como hiperplasia prostática, câncer de próstata e cálculo renal. Na andrologia, dedica-se à saúde masculina, incluindo terapia de reposição hormonal, disfunção erétil e ejaculação precoce. Seu trabalho é pautado por uma abordagem personalizada, com foco em prevenção, segurança e qualidade de vida, aliando conhecimento técnico a um atendimento humanizado. Acesse: https://drpedrobastosurologista.com.br/

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