Crédito: FreePik
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Saúde e Bem Estar

Crise de insônia no Brasil eleva o sono a prioridade de saúde pública

No Dia Mundial da Saúde, abuso do uso de medicamentos para dormir acende debate sobre riscos e alternativas no tratamento

Data de Publicação: 07/abr/2026

No Dia Mundial da Saúde (7/4), um dado chama atenção: cerca de 7 em cada 10 brasileiros apresentam algum tipo de alteração no sono¹. Em meio ao aumento da ansiedade, do estresse crônico e da exaustão, dormir mal deixou de ser um problema pontual e para se consolidar como um desafio contínuo de saúde pública. O avanço da insônia acompanha o agravamento da saúde mental da população. Durante a pandemia, os casos de ansiedade e depressão cresceram 25% no mundo², condições associadas à piora da qualidade do sono. A insônia, nesse quadro, passa a atuar tanto como sintoma quanto como fator de agravamento desses transtornos.

O aumento dos distúrbios do sono também tem levado ao aumento do uso de medicamentos para dormir, especialmente os hipnóticos não benzodiazepínicos, conhecidos como “drogas Z”. Estudos apontam que o consumo dessas substâncias cresceu durante a pandemia³, o que acende um alerta para o uso prolongado sem acompanhamento clínico adequado. Uma diretriz clínica recente da Academia Brasileira de Neurologia (ABN)⁴, com o apoio da Apsen e baseada em um consenso entre especialistas, reforça os riscos do uso contínuo dessas medicações, como dependência, tolerância e efeito rebote — quando a interrupção leva à piora da insônia. O documento também aponta maior vulnerabilidade em grupos como mulheres, profissionais da saúde e pessoas com transtornos mentais.

Consenso sobre o desmame
Especialistas defendem a revisão das estratégias de tratamento com foco em abordagens sustentáveis, como higiene do sono e intervenções comportamentais. Quando necessário, o desmame de medicamentos deve ser gradual e sempre acompanhado por um médico, evitando interrupção abrupta que pode intensificar os sintomas⁴. consenso também menciona o uso de alternativas farmacológicas temporárias, como a trazodona, remelteona e pregabalina em contextos específicos e sob avaliação clínica4.

Quando a insônia exige atenção
A insônia deve ser investigada quando se torna frequente e impacta a qualidade de vida⁴. Sinais de alerta incluem:

  • dificuldade para iniciar ou manter o sono
  • cansaço constante
  • irritabilidade e baixa concentração
  • necessidade crescente de medicação

Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação médica e evitar automedicação⁴.

O Passo a passo para melhorar o sono
Medidas baseadas em higiene do sono — práticas amplamente recomendadas na abordagem clínica da insônia — podem ajudar a regular o sono e reduzir a necessidade de intervenções medicamentosas⁴:

  1. Mantenha horários regulares para dormir e acordar
  2. Evite telas à noite, especialmente antes de dormir
  3. Reduza cafeína e estimulantes no fim do dia
  4. Prepare o ambiente (luz baixa, silêncio, temperatura adequada)
  5. Evite atividades estimulantes à noite
  6. Adote técnicas de relaxamento
  7. Procure ajuda profissional se o problema persistir

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Sono. Disponível em: Link
    Acesso em: abr. 2026.
  2. Organização Mundial da Saúde. COVID-19 pandemic triggers 25% increase in prevalence of anxiety and depression worldwide. Disponível em: Link
    Acesso em: abr. 2026.
  3. DOS SANTOS JUNIOR, C. M. et al. Zolpidem: aumento do seu uso associado ao cenário pandêmico da COVID-19. Disponível em: Link
    Acesso em: abr. 2026.
  4. Arquivos de Neuro e Psiquiatria (ANP). Disponível em: Link
    Acesso em: abr. 2026.

Fonte: Apsen/Tino Comunicação

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