Crédito: FreePik
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Saúde e Bem Estar

Consumo de grãos ultraprocessados pode aumentar risco de doenças inflamatórias intestinais, aponta estudo internacional

Pesquisa com mais de 120 mil pessoas em 21 países associa alimentos ultraprocessados a maior risco de doença de Crohn e colite ulcerativa

Data de Publicação: 06/abr/2026

Um estudo internacional publicado no American Journal of Gastroenterology aponta que o consumo de grãos ultraprocessados, como pães industrializados, cereais refinados e outros produtos altamente processados, está associado a um maior risco de desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais (DII), como doença de Crohn e colite ulcerativa.

A pesquisa, divulgada em agosto de 2025, analisou dados de mais de 124 mil participantes em 21 países, dentre eles Brasil, Canadá e África do Sul, no âmbito da coorte PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology), ao longo de anos de acompanhamento. Os pesquisadores avaliaram os padrões alimentares por meio de questionários de frequência alimentar e investigaram a relação entre a ingestão de grãos e o surgimento de DII.

Os resultados mostram que indivíduos que consumiam 19 gramas ou mais de grãos ultraprocessados por dia apresentaram um risco 86% maior de desenvolver doença inflamatória intestinal em comparação com aqueles que consumiam menos de 9 gramas diárias.

Além disso, o estudo identificou que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados como um todo (mais de cinco porções por dia) também esteve associado a maior risco de DII, reforçando o impacto desses produtos na saúde intestinal.

Por outro lado, a ingestão de alimentos menos processados, como pão e arroz frescos, foi associada a um menor risco de desenvolvimento dessas doenças. Segundo o cardiologista e Head do Centro Especializado em Cardiologia e do Centro Internacional de Pesquisado Hospital Alemão Oswaldo Cruz,Prof.Dr. Álvaro Avezum, um dos autores do estudo, os achados reforçam o papel da alimentação na saúde intestinal e levantam um alerta importante para a população.
 

“Os resultados reforçam a importância de olhar com mais atenção para o grau de processamento dos alimentos que compõem a dieta habitual. Em um cenário de aumento do consumo de produtos industrializados no mundo, compreender esse impacto é fundamental para avançar em estratégias de prevenção e promoção da saúde intestinal. “afirma.

Impacto crescente das doenças inflamatórias intestinais
As doenças inflamatórias intestinais vêm apresentando aumento de incidência em diversos países. No Brasil, a prevalência da doença de Crohn passou de 12,6 por 100 mil habitantes, em 2012, para 33,7 por 100 mil, em 20201.
O avanço acompanha o crescimento das doenças inflamatórias intestinais nas últimas décadas, com aumento da prevalência e mudança no perfil de distribuição dos casos, especialmente em regiões mais urbanizadas e desenvolvidas do país.
Embora fatores genéticos e imunológicos estejam envolvidos, aspectos ambientais, como alimentação, urbanização e estilo de vida, têm sido cada vez mais associados a esse avanço.
 

Desafio vai além da nutrição
Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre alimentação e saúde pública, especialmente diante da crescente presença de ultraprocessados na dieta global.
“Quando produtos ultraprocessados ocupam cada vez mais espaço na alimentação cotidiana, a discussão deixa de ser apenas individual. Os resultados reforçam a importância de pensar em estratégias mais amplas, que favoreçam escolhas alimentares de melhor qualidade no dia a dia.”, completa Dr. Avezum.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Referências:

1Renuzza SSS, Vieira ER, Cornel CA, Lima MN, Ramos Junior O. INCIDENCE, PREVALENCE, AND EPIDEMIOLOGICAL CHARACTERISTICS OF INFLAMMATORY BOWEL DISEASES IN THE STATE OF PARANÁ IN SOUTHERN BRAZIL. Arq Gastroenterol. 2022 Jul-Sep;59(3):327-333. doi: 10.1590/S0004-2803.202203000-60. PMID: 36102427.

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