Relações de confiança ajudam a reduzir o estresse, fortalecem a autoestima e funcionam como importante fator de proteção contra ansiedade e depressão
Ter alguém para conversar depois de um dia difícil, dividir conquistas ou simplesmente dar boas risadas pode parecer apenas um gesto de carinho, mas a ciência mostra que a amizade vai muito além do convívio social. No Dia do Amigo, celebrado em 20 de julho, especialistas reforçam que cultivar relações saudáveis contribui diretamente para o equilíbrio emocional, ajuda a enfrentar momentos de crise e promove mais qualidade de vida.
O tema ganha ainda mais relevância diante de um cenário preocupante. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em 2025, aponta que uma em cada seis pessoas no mundo enfrentou a solidão entre 2014 e 2023, condição associada ao aumento do risco de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde.
Segundo Lidiane de Souza Trindade Nascimento, professora do curso de Psicologia da Universidade São Judas, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima de Educação, a amizade funciona como uma importante rede de apoio emocional. “Ter pessoas com quem podemos conversar, dividir preocupações e celebrar conquistas fortalece o sentimento de pertencimento e reduz a sensação de isolamento. Esse suporte emocional faz diferença na forma como enfrentamos situações de estresse e adversidades.”
Além de promover bem-estar, as amizades saudáveis ajudam a fortalecer a autoestima, estimulam hábitos positivos e incentivam o autocuidado. Para a especialista, mais importante do que a quantidade de amigos é a qualidade das relações. “Vivemos em uma época de muitas conexões virtuais, mas nem sempre elas representam vínculos profundos. Uma amizade baseada em confiança, respeito e reciprocidade pode trazer benefícios muito maiores do que uma grande rede de contatos superficiais.”
A psicóloga também ressalta que as amizades precisam ser cultivadas. Reservar tempo para conversar, encontrar pessoas queridas e demonstrar interesse genuíno pela vida do outro são atitudes que fortalecem os vínculos ao longo do tempo. No entanto, esse cuidado deve ser mútuo para que a relação permaneça saudável.
Assim como acontece em relacionamentos familiares ou amorosos, amizades também podem se tornar desgastantes e prejudiciais. Relações marcadas por manipulação, desrespeito, competitividade excessiva, críticas constantes ou falta de reciprocidade tendem a gerar sofrimento emocional e podem impactar diretamente a autoestima e o bem-estar psicológico.
“Existe a ideia de que toda amizade deve ser mantida a qualquer custo, mas isso nem sempre é verdade. Quando uma relação deixa de oferecer acolhimento, respeito e segurança emocional e passa a gerar ansiedade, culpa ou sofrimento frequente, é importante avaliar se esse vínculo ainda faz sentido. Encerrar uma amizade também pode ser um ato de autocuidado”, explica Lidiane.
Para a especialista, reconhecer os próprios limites faz parte da construção de relações mais saudáveis. “Boas amizades não significam ausência de conflitos, mas sim a capacidade de dialogar, respeitar diferenças e preservar o bem-estar de ambos. Cercar-se de pessoas que contribuem positivamente para a nossa vida é uma das formas mais importantes de cuidar da saúde mental”, conclui.