Carreira

Longevidade centenária e o mercado de trabalho: vida mais longa no próximo século, os desafios e oportunidades para essa futura geração prateada

Para sustentar uma vida de 120 anos em uma sociedade de alta tecnologia, o conceito de “carreira” sofrerá uma fragmentação radical. Crédito: divulgação
Para sustentar uma vida de 120 anos em uma sociedade de alta tecnologia, o conceito de “carreira” sofrerá uma fragmentação radical. Crédito: divulgação

Longevidade centenária e o mercado de trabalho: um cenário visionário sobre uma expectativa de vida mais longa no próximo século, os desafios e oportunidades para essa futura geração prateada

Data de Publicação: 26/jun/2026

No seu livro recém-lançado “Homo Longevus: O guia do longo prazo para o século 22”, Luiz paulo Foggetti, após extensa pesquisaprojeta a possibilidade da expectativa de vida do brasileiro ultrapassar os 100 anos em um futuro próximo, podendo chegar até os 120 com os avanços em saneamento, nutrição, medicina preventiva e o uso de novas tecnologias, apresentando diferentes temas que vão impactar esse futuro processo de envelhecimento e a inserção desse idoso nos diferentes cenários sociais e econômicos.

Dentre esses temas, esse idoso, mais velho, porém mais saudável e ativo, será desafiado a se reinventar no mercado de trabalho dentro dessa jornada de longevidade. Logo de início, o autor declara que “não existe previdência pública capaz de sustentar uma vida de 120 anos” em nenhum lugar do mundo, e, dentro dessa perspectiva de vida centenária, o modelo de educação-trabalho-aposentadoria colapsa, definindo uma nova era de “Carreira Multifásica” para a futura geração prateada. 

No Brasil, por exemplo, essa nova jornada irá incluir, cada vez mais, o home office, para evitar o longo tempo perdido em deslocamento, e a CLT precisará ser adaptada, mudando um sistema ultrapassado e rígido para um formato mais flexível, onde contratos bilaterais passem a vigorar. 

Dentro desse processo de reinvenção profissional e pessoal, o “lifelong learning” – o aprendizado ao longo da vida -, se revela protagonista desse reposicionamento do futuro idoso, onde a educação contínua prevalecerá, as instituições de ensino terão “assinaturas vitalícias” e o a aprendizado será constante para evitar a obsolescência causada pela IA e pela automação e deixaremos de fazer cursos de 2 anos e MBA, optando  por pílulas mais constantes de conhecimento em temas específicos para preencher as necessidades imediatas de skills desejáveis e buscar conhecimentos que, realmente, tenham conexão real com o mundo.

Nessa nova sociedade com idoso mais longevos, surge o mercado de trabalho pós-etarista, quando o preconceito contra a idade morrerá por necessidade econômica e não teremos pessoas para trabalhar em todas as posições com as idades usualmente requeridas nos dias de hoje, considerando que 30% do mercado ativo de trabalho terão mais de 65 anos. Dessa forma, o valor da “experiência preditiva”, finalmente, ganhará campo enquanto os jovens são rápidos e adaptáveis, o trabalhador de 90 anos oferece “inteligência cristalizada” e a capacidade de reconhecer padrões históricos e evitar erros que ele já viu acontecerem três vezes em um século. Empresas de sucesso serão aquelas que misturam a audácia de um jovem de 20 anos com a sabedoria estratégica de um centenário que, não será o “chefe” por hierarquia mas, sim, o decano consultor que calibra a inovação.

Aos 100 anos, mesmo com saúde, o ritmo de deslocamento físico pode mudar e o trabalho por presença virtual funciona bem na geração prateada, onde a disciplina é mais eficaz e a necessidade de transmissão da cultura é menor, com a tecnologia permitindo ao especialista de 110 anos prestar consultoria global a partir de sua casa, mantendo-se produtivo sem o desgaste do transporte urbano. Plataformas especializadas em conectar “sabedoria sob demanda” para resolver problemas complexos de governança e ética corporativa, também chamadas de Gig Economy, devem ganhar espaço nesse novo contexto.

Trabalhar por 90 anos muda completamente a tendência de acumular capital, sendo que o juro composto, em um horizonte de 100 anos, pode transformar pequenos investimentos em fortunas geracionais no qual o planejamento financeiro deixará de ser sobre “acumular para parar” e passará a ser sobre “gerir fluxo para continuar” e  atingir a sustentabilidade vital.

Para sustentar uma vida de 120 anos em uma sociedade de alta tecnologia, o conceito de “carreira” sofrerá uma fragmentação radical, pois o idoso de 2050 não será alguém que acumulou para parar, mas aquele que se mantém em fluxo financeiro constante. A sustentabilidade econômica na super longevidade irá se basear em 4 pilares principais:

A) Portfólio de carreiras (multipotencialidade): em 2050 o trabalho não será definido por uma única profissão, mas por um portfólio de competências;

B) A monetização da experiência e dos dados, com o maior ativo do idoso de 2050 sendo seu histórico, inclui a venda de dados biométricos de saúde e longevidade, extremamente valiosos para indústrias farmacêuticas e seguradoras,assim como a “economia do cuidado e mentoria” em uma sociedade altamente automatizada, onde “toque humano” e a sabedoria intuitiva tornam-se commodities de luxo, quando os idosos serão pagos para serem curadores de comunidades, mediadores de conflitos e mentores emocionais para gerações mais novas que sofrem com o imediatismo digital; 

C) O fim da aposentadoria como renda fixa terá colapsado muito antes de 2050, e essa sustentação virá de micro investimentos automatizados (IAs financeiras pessoais irão gerir micro aportes feitos ao longo de décadas para garantir que o patrimônio cresça no ritmo da inflação tecnológica e Renda Universal Complementar (em uma economia de abundância tecnológica, haverá uma base de sustento garantida pelo Estado (vinda da tributação de robôs e automação). Entretanto, ressalta que na “vida plena” na cidade inteligente exigirá a renda extra gerada pela atividade contínua do idoso, que deve se preparar para contribuir com o sistema até os 90 anos ou mais;

D) O consumo consciente e colaborativo também será parte dessa nova dinâmica econômica, com o custo de vida otimizado pela própria infraestrutura urbana, na qual em vez de possuir carros ou grandes imóveis que exigem manutenção, o idoso de 2050 deverá utilizar sistemas de assinatura, pagando pelo uso da moradia, do transporte e da saúde para reduzir o custo fixo e permitir que o capital permaneça líquido para emergências ou novos investimentos em saúde regenerativa. 

Enfim, aos 90 anos, o ideal é ter feito uma rede de relacionamentos exemplar, contemplando diferentes níveis sociais, idades, skills e pontos de vista para trazer valor ao negócio atual em contínua construção de rede. O idoso de 2050 é, essencialmente, um “Capitalista de Conhecimento”, que não compete com a força ou a velocidade do jovem, mas com a profundidade, a rede de contatos e a visão sistêmica que só um século de existência pode proporcionar.

Serviço:
“Homo Longevus: O Guia do Longo Prazo para o Século 22”
Autor: Luiz Paulo Foggetti
Mais informações: @homolongevus 
Editora do autor 
Número de páginas 180
Valor: R$ 89,00
Prefácios: João Toniolo Neto, Walter Feldman, Marcos Gouvêa de Souza e Caio Auriemo
Disponível na Amazon: https://www.amazon.com.br/dp/6584283372

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