Conheça três histórias de amizades que se estenderam para os negócios e ajudaram a fomentar redes de sucesso no Brasil e exterior
Comemorado em 20 de julho, o Dia do Amigo celebra conexões afetivas em todos os âmbitos, mas, no ambiente corporativo brasileiro, essa forte ligação tem sido o combustível de grandes negócios. O dinamismo do mercado nacional reflete bem esse movimento: o país registrou a abertura de 5,1 milhões de novas empresas em 2025. O dado, mapeado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com base nos cartões de CNPJ emitidos pela Receita Federal, mostra uma alta expressiva de 18,6% na comparação com o ano anterior, quando 4,3 milhões de negócios foram criados. Neste cenário, a escolha por empreender em dupla ou em grupo de amigos deixa de ser apenas um desejo e vira realidade para milhares de novos empresários. De acordo com uma pesquisa realizada em 2023 pela consultoria MindMiners, uma em cada três empresas no Brasil é formada por sócios que se consideram amigos, o que representa 29% das sociedades empresárias no país.
Para pontuar a data, conheça três trajetórias inspiradoras de cumplicidade que cruzaram a linha da vida pessoal para estruturar redes de projeção nacional e internacional:
Sintonia mineira que conquistou mercados internacionais
A evolução da rede JAH Açaí, Sorvetes e Picolés traduz perfeitamente como a chegada de um amigo estratégico pode mudar o destino de uma empresa. O negócio começou modesto em 2009, quando o mineiro Diego Dutra investiu suas economias de R$ 16 mil para inaugurar uma pequena loja em Conselheiro Lafaiete (MG). Cinco anos mais tarde, já com duas unidades operando, Diego percebeu que precisava de braço e método para conseguir escalar o modelo. Foi aí que o engenheiro de produção Rafael Corte entrou em sua história. A aproximação inicial, que tinha o objetivo simples de colocar picolés nas vitrines do JAH, logo deu lugar a uma sólida amizade e, consequentemente, a uma nova sociedade. Com a bagagem técnica de Rafael somada ao conhecimento prático de Diego, os dois identificaram que o sistema de autoatendimento seria a grande virada de chave da marca. A partir dessa aliança, o negócio deixou de ser uma realidade regional para ganhar o Brasil como franquia a partir de 2016. Fortalecida pela amizade e pela chegada de novos parceiros, como o empresário Caio Castro, a marca profissionalizou suas fábricas e superou a marca de 180 unidades. Cruzando oceanos e fronteiras, a sinergia que começou no interior de Minas Gerais levou o açaí da rede para Portugal, Alemanha e Chile, mirando um faturamento expressivo de R$ 210 milhões em 2026.

De amigos de infância a sócios
A trajetória dos empresários cariocas Álvaro de Oliveira Quintana e Felipe Antônio Duarte da Silva é um dos destaques da Boulangerie Carioca, bistrô inspirado no estilo francês. Álvaro, formado em Engenharia de Produção, e Felipe, em Administração, são amigos de infância e sempre tiveram vontade de empreender. Em 2023, decidiram iniciar a jornada empreendedora com a primeira unidade da Boulangerie Carioca no Península Open Mall, no Rio de Janeiro (RJ), onde elevaram em 30% o faturamento sobre a administração anterior, e inauguraram em outubro de 2024 a segunda loja no Shopping Metropolitano Barra. Em janeiro deste ano, os franqueados abriram a terceira unidade, no Shopping Boulevard, na Vila Isabel (RJ), e, para o segundo semestre, está prevista a inauguração no Shopping Outlet Premium, em Duque de Caxias (RJ), ampliando ainda mais a presença da marca no Rio de Janeiro. O ritmo de expansão acompanha os resultados do negócio; em 2025, os empreendedores alcançaram faturamento de R$ 3,6 milhões com as três unidades.

Da resenha pós-pelada ao franchising
A história da marca Pastel do Bairro, rede de pastelaria que resgata afeto e tradição com receitas autorais, é outra prova de que conexões genuínas podem dar origem a redes altamente rentáveis no mercado de alimentação. O projeto começou a ganhar contornos reais por meio de uma ponte afetiva: Mateus, filho do empresário Marco Lisboa, apresentou os amigos Pedro Afonso e Pedro Francisco ao pai logo após uma partida de futebol. A empatia imediata e o forte laço de amizade que se formou entre o trio rapidamente se transformaram em oportunidade de mercado. Ao experimentar o produto feito por Pedro Francisco — um pastel gigante de 30 centímetros, recheado por inteiro e com massa surpreendentemente sequinha —, Marco visualizou o potencial de aplicar seu conhecimento em expansão e um aporte de R$ 500 mil na estrutura que os amigos planejavam. Unindo a bagagem em engenharia e comércio de Pedro Afonso à habilidade operacional de Pedro Francisco e à visão de escala de Marco, eles criaram uma rede moderna, equipada com totens digitais e ambientação retrô. O plano de expansão desenhado pelos três amigos avança em ritmo acelerado, com a meta de alcançar 20 unidades comercializadas até o fechamento de 2026.