Dr. Pedro Bastos explica em quais situações a prótese peniana pode ser recomendada, os principais tipos disponíveis e os mitos que ainda cercam o tratamento
Historicamente, a saúde sexual masculina sempre foi cercada por tabus. Muitos homens ainda sentem vergonha de falar sobre dificuldades relacionadas ao desempenho sexual e até evitam buscar ajuda médica para tratar essas questões. Porém, nos últimos anos, um tema em especial passou a chamar a atenção e despertar curiosidade: a prótese peniana. Mas afinal, o que é e para que serve?
Segundo o médico urologista e andrologista Dr. Pedro Bastos, a prótese peniana é um dispositivo implantado cirurgicamente dentro do pênis com o objetivo de restaurar a capacidade de ereção em homens com disfunção erétil. De acordo com o especialista, o procedimento costuma ser indicado principalmente para pacientes que não tiveram resposta adequada aos tratamentos convencionais, como medicamentos orais, injeções penianas ou terapias menos invasivas.
“As causas mais comuns incluem diabetes, doenças vasculares, sequelas de cirurgia de próstata, lesões neurológicas e casos avançados da Doença de Peyronie. Hoje, a prótese é considerada um tratamento definitivo e com alto índice de satisfação quando bem indicada”, explica.
O médico ressalta ainda que a prótese peniana não é indicada apenas para casos de disfunção erétil. Segundo ele, existem outras situações em que o procedimento também pode ser recomendado, principalmente em pacientes com deformidades penianas importantes ou comprometimento significativo da função sexual.
“Pacientes com Doença de Peyronie avançada, por exemplo, podem apresentar deformidades importantes associadas à perda da rigidez peniana. Nesses casos, a prótese ajuda tanto na função erétil quanto na correção da curvatura. Também existem situações mais complexas, como sequelas traumáticas, fibrose peniana severa ou reoperações após falhas de tratamentos anteriores”, afirma.
Atualmente, existem dois principais tipos de prótese peniana disponíveis: as maleáveis e as infláveis. As maleáveis são compostas por hastes flexíveis que mantêm o pênis em posição rígida o suficiente para a relação sexual, enquanto as infláveis funcionam através de um sistema hidráulico interno, permitindo uma ereção mais próxima do aspecto natural.
“As próteses infláveis costumam oferecer um resultado estético e funcional superior, tanto em rigidez quanto em flacidez. Já as maleáveis possuem uma estrutura mais simples e fácil de manusear. A escolha depende do perfil do paciente, da anatomia, das condições clínicas e também da expectativa em relação ao resultado”, destaca o especialista.
Em relação à cirurgia, o procedimento costuma ser realizado em ambiente hospitalar, com anestesia raquidiana ou geral, e duração média entre uma e duas horas. O implante é feito através de pequenas incisões discretas e a prótese permanece totalmente interna.
“O pós-operatório geralmente exige alguns dias de repouso relativo, controle de dor e cuidados locais. Nas primeiras semanas pode haver edema e desconforto, o que é esperado. Em média, a retomada da atividade sexual costuma ocorrer após quatro a seis semanas, dependendo da recuperação individual e do tipo de prótese implantada”, ressalta.
Para o Dr. Pedro Bastos, um dos principais benefícios do procedimento está relacionado à recuperação da confiança e da qualidade de vida dos pacientes. “Muitos homens chegam emocionalmente desgastados após anos convivendo com falhas de ereção, frustração, ansiedade e impacto nos relacionamentos. Quando o procedimento é bem indicado, os índices de satisfação costumam ser extremamente altos, tanto para o paciente quanto para a parceira ou parceiro”, comenta.
Apesar dos avanços tecnológicos e da segurança do procedimento, o médico reforça que, como qualquer cirurgia, a prótese peniana também possui riscos e exige avaliação individualizada.
“Os principais riscos incluem infecção, sangramento, dor persistente, falha mecânica do dispositivo e, em casos raros, necessidade de revisão cirúrgica. Pacientes diabéticos descompensados, fumantes pesados ou com infecções ativas precisam de avaliação cuidadosa antes da cirurgia”, alerta.
Por fim, o especialista destaca que ainda existem muitos mitos e desinformações relacionados à prótese peniana, principalmente nas redes sociais. “Um dos maiores mitos é achar que a prótese aumenta o pênis ou transforma o desempenho sexual em algo artificial. A função dela é restaurar a rigidez peniana, não criar um resultado irreal. Talvez o mais importante seja entender que a prótese peniana não representa fracasso. Ela é uma solução médica moderna, consolidada e baseada em evidência científica para homens que realmente precisam de tratamento definitivo para a disfunção erétil”, finaliza.