Problemas de pele estão entre as principais causas de consultas veterinárias. Especialistas respondem dúvidas frequentes sobre coceira, diagnóstico e controle das condições
Coceira frequente, lambedura excessiva das patas, vermelhidão na pele e infecções recorrentes nos ouvidos são sinais que muitos tutores observam no dia a dia dos seus cães. Apesar de comuns, esses sintomas nem sempre recebem a atenção necessária e podem indicar doenças dermatológicas que afetam diretamente o bem-estar e a qualidade de vida dos animais.
Para esclarecer as principais dúvidas dos tutores, o Prof. Dr. Ronaldo Lucas e a Profa. Me. Romeika Reis, dois dos principais nomes da dermatologia veterinária brasileira, explicam os principais aspectos relacionados à dermatite e à saúde da pele dos cães. Ronaldo é médico-veterinário, mestre e doutor pela USP, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e pioneiro da especialidade na América Latina. Romeika é médica-veterinária, mestre em Medicina Veterinária, especialista em Dermatologia Veterinária e professora de pós-graduação da Equalis.
Nem sempre. A coceira pode ocorrer ocasionalmente por diferentes motivos, como contato com sujeira, poeira ou pequenas irritações temporárias. No entanto, quando se torna frequente, intensa ou persistente, merece atenção. “A dermatite atópica canina é uma das doenças de pele mais comuns em cães. Trata-se de uma condição inflamatória crônica associada a uma resposta exagerada do organismo a substâncias presentes no ambiente, como ácaros, poeira e pólen, causando coceira recorrente”, explica Ronaldo Lucas.
Alguns sinais ajudam a identificar quando o problema merece atenção:
Quando esses sintomas passam a fazer parte da rotina do animal, é recomendável procurar orientação veterinária. “A coceira recorrente nunca deve ser considerada normal, especialmente quando acompanhada de outros sinais”, explica Romeika Reis.
A dermatite atópica é considerada uma doença crônica. Isso significa que não existe uma cura definitiva, mas existem formas eficazes de controlar os sintomas e proporcionar qualidade de vida ao animal. “O objetivo do tratamento é controlar a doença e permitir que o cão tenha conforto e bem-estar no dia a dia. Com diagnóstico correto, tratamento adequado conforme prescrito pelo médico-veterinário e acompanhamento contínuo, muitos pacientes levam uma vida absolutamente normal”, afirma Ronaldo Lucas.
Entre as soluções disponíveis no mercado atualmente, estão Apoquel®, tratamento oral que atua no controle rápido da coceira associada a dermatite atópica, oferecendo alívio a partir de uma hora; e Cytopoint®, o primeiro anticorpo monoclonal da saúde animal, que controla o prurido por até 8 semanas. A definição da melhor abordagem deve sempre ser feita pelo médico-veterinário, de acordo com as necessidades de cada animal.
“A dermatite atópica costuma apresentar períodos de melhora e de piora ao longo da vida. Fatores ambientais, exposição a alérgenos, mudanças climáticas e até infecções secundárias podem contribuir para o reaparecimento dos sinais clínicos”, diz Romeika. Por isso, o acompanhamento contínuo é importante mesmo quando o animal está bem.
Sim. Nem sempre a coceira vem acompanhada de lesões visíveis na pele. Em alguns casos, o animal pode apresentar desconforto e se coçar com frequência antes mesmo do surgimento de vermelhidão, feridas ou falhas de pelo. “Existe uma condição conhecida na dermatologia veterinária como pruritus sine materia, em que a coceira está presente mesmo sem alterações aparentes na pele. Por isso, é importante ter em mente que não é necessário esperar lesões aparecerem para procurar orientação veterinária”, explica Ronaldo Lucas.
Sim. Uma alimentação equilibrada é importante para a manutenção da saúde da pele e da pelagem. Além disso, “alguns cães podem apresentar reações adversas a determinados ingredientes da dieta, o que pode contribuir para o aparecimento de sinais dermatológicos. Por isso, qualquer mudança alimentar deve ser orientada pelo médico-veterinário”, informa Romeika.
Essa é uma das dúvidas mais comuns entre os tutores. “A melhora dos sintomas não significa que a doença desapareceu. Pelo contrário, pode significar apenas que o tratamento está tendo o efeito desejado. Seguindo esse raciocínio, interrompê-lo sem orientação pode favorecer o retorno da coceira e das lesões. Nunca pare o tratamento sem antes consultar o médico-veterinário”, instrui Ronaldo Lucas.
Segundo os especialistas, um dos erros mais comuns é acreditar que a coceira faz parte da rotina normal dos cães. “Muitos animais convivem durante meses ou até anos com desconforto antes de receber um diagnóstico adequado. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de controlar a doença e preservar a qualidade de vida do paciente”, conclui Romeika Reis.
A observação atenta do comportamento do animal e a busca por orientação veterinária diante dos primeiros sinais continuam sendo as principais formas de preservar a saúde da pele e garantir mais conforto e bem-estar aos cães.
Discussão de casos reais contribui para atualização de médicos-veterinários
Como parte de seu compromisso com a educação continuada dos médicos-veterinários, a Zoetis promove o Derma Experience, iniciativa que já realizou 26 encontros e impactou mais de 2 mil profissionais. Com a participação de Ronaldo Lucas e Romeika Reis, os eventos estimulam a troca de conhecimentos e a discussão de casos clínicos reais de cães com doenças dermatológicas. A iniciativa também se conecta à recém-lançada campanha “Inegociável”, de Apoquel, que reforça a importância de escolhas terapêuticas fundamentadas em ciência e experiência, considerando critérios como alívio rápido da coceira, flexibilidade no tratamento e segurança no curto e no longo prazo.