Com mais de R$2 trilhões em consumo anual, a elite financeira acima dos 60 anos amplia sua relevância econômica, mas ainda enfrenta barreiras no varejo físico e digital.
A elite brasileira com mais de 60 anos tem se destacado pelo alto nível de atividade econômica e poder de consumo. Segundo um estudo da Serasa Experian, que analisou o potencial de consumo dos brasileiros por faixa etária, os consumidores 60+ apresentam um potencial de consumo superior ao de 72% da população brasileira. Ao mesmo tempo, o avanço das soluções financeiras digitais tem contribuído para ampliar a inclusão financeira dessa geração, tornando serviços e meios de pagamento mais acessíveis e adaptados às suas necessidades.
A chamada Economia da Longevidade consolidou-se como uma das principais forças do mercado brasileiro. Trata-se de um ecossistema econômico voltado para atender às demandas, preferências e necessidades da população com mais de 60 anos. Gastos com supermercado, farmácia, saúde e lazer estão entre as principais prioridades desse público, que movimenta mais de R$2 trilhões por ano em consumo e vem ganhando cada vez mais relevância para empresas de diferentes setores.
“Durante muito tempo, o mercado enxergou os consumidores mais velhos apenas sob a ótica da aposentadoria. Hoje, essa visão não corresponde à realidade. Estamos falando de um público com renda, autonomia financeira e grande participação nas decisões de consumo da família. Ignorar esse potencial significa deixar de atender uma das parcelas que mais crescem e movimentam a economia, tanto nas lojas físicas quanto nos canais digitais”, afirma Marlon Tseng, CEO da Pagsmile.
De acordo com dados do estudo “Oldiversity”, realizado pela Croma Consultoria, apenas 40% da população acredita que as lojas estão preparadas para receber e atender adequadamente às necessidades e demandas dos consumidores 60+, evidenciando os desafios que ainda existem para a inclusão desse público no varejo.
O estudo também aponta que apenas 23% da população acredita que as pessoas mais velhas estão habituadas a realizar compras em lojas virtuais. O dado evidencia como o mercado ainda subestima o potencial de consumo da população idosa, tanto no ambiente físico quanto no digital, ignorando um público cada vez mais conectado, ativo e relevante para a economia.
Essa percepção contrasta com outros resultados da pesquisa. Para 27% da população e 48% do próprio grupo 60+, as pessoas mais velhas possuem habilidade para utilizar aplicativos, internet e redes sociais. “Em um cenário como esse, o caráter democrático das fintechs e instituições de pagamento ganha destaque. Responsável pela inclusão de indivíduos no sistema financeiro, o setor encontra a oportunidade de desenvolver interfaces e sistemas inclusivos para um público que tende a ser excluído pelo senso comum”, conclui o Marlon.
Com o avanço da expectativa de vida e o crescimento da população idosa no Brasil, a tendência é que a Economia da Longevidade ganhe ainda mais relevância nos próximos anos. Para empresas e marcas, adaptar produtos, serviços e experiências a esse público deixou de ser apenas uma questão de inclusão e passou a representar uma estratégia essencial para acompanhar as transformações demográficas e aproveitar as oportunidades de um mercado cada vez mais ativo, conectado e economicamente influente.