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Inverno aumenta risco de gripe canina e infecções respiratórias em pets

O principal sintoma, uma tosse seca e repetitiva, costuma ser confundido com um engasgo, fazendo com que muitos tutores demorem a buscar ajuda. Crédito: divulgação
O principal sintoma, uma tosse seca e repetitiva, costuma ser confundido com um engasgo, fazendo com que muitos tutores demorem a buscar ajuda. Crédito: divulgação

Estudo identificou agentes respiratórios em 78% das amostras analisadas em cães mantidos em ambientes coletivos

Data de Publicação: 14/jul/2026

Frio, ar seco e maior convivência entre animais em ambientes fechados formam a combinação perfeita para o avanço da gripe canina durante o inverno. Diante desse cenário, a WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, alerta para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. Estudo publicado pelo Brazilian Journal of Microbiology identificou agentes respiratórios em 78% das amostras analisadas em cães mantidos em ambientes coletivos, reforçando o potencial de transmissão em locais como creches, hotéis e espaços de convivência para pets.

O levantamento também apontou que 44% dos casos positivos apresentavam coinfecção, ou seja, mais de um agente infeccioso atuando simultaneamente. Conhecida tecnicamente como Traqueobronquite Infecciosa Canina, a gripe canina é causada por diferentes vírus e bactérias, incluindo a Bordetella bronchiseptica. Apesar de, na maioria dos casos, apresentar boa evolução clínica quando tratada adequadamente, a doença pode levar a complicações importantes, especialmente em filhotes, cães idosos e animais com imunidade comprometida.

“Existe uma percepção equivocada de que a gripe canina é apenas uma tosse passageira. Embora muitos pacientes apresentem quadros leves, trata-se de uma doença altamente contagiosa que pode evoluir para infecções respiratórias mais graves quando não diagnosticada e tratada precocemente”, explica Gustavo Gonçalves, médico veterinário na WeVets.
Assim como ocorre com as doenças respiratórias em humanos, o inverno cria condições ideais para a disseminação da gripe canina. Além das temperaturas mais baixas, o período é marcado pela redução da umidade do ar e pelo aumento da permanência dos animais em ambientes compartilhados.

“O clima seco e o ar frio causam irritação das vias respiratórias e podem deixar o organismo mais suscetível a infecções. Quando esse fator se soma ao contato frequente entre cães em espaços coletivos, o potencial de transmissão aumenta significativamente”, afirma a especialista.
Especialistas observam que os meses mais frios criam um ambiente mais favorável para a disseminação de doenças respiratórias entre cães, especialmente em locais com alta circulação de animais.

Um dos principais desafios para o diagnóstico precoce é que muitos tutores não reconhecem os sinais da doença. A tosse provocada pela gripe canina costuma ser seca, intensa e repetitiva, frequentemente confundida com engasgos ou tentativas de expelir algo da garganta.

Os sintomas mais comuns incluem:
– Tosse persistente;
– Engasgos frequentes;
– Espirros;
– Coriza;
– Cansaço;
– Febre;
– Redução do apetite.

“Muitos tutores procuram atendimento acreditando que o cão está engasgado, quando na verdade ele apresenta o sintoma clássico da gripe canina. Quanto mais cedo a doença for identificada, menores são as chances de agravamento e de transmissão para outros animais”, alerta o médico veterinário.
Embora cães de qualquer idade possam desenvolver a doença, alguns grupos são mais vulneráveis às complicações

Filhotes, idosos, animais com doenças crônicas e pacientes imunossuprimidos apresentam maior risco de evolução para quadros respiratórios mais severos, incluindo broncopneumonias.

Além disso, cães braquicefálicos, como Pug, Bulldog Francês, Shih Tzu e Boston Terrier, também merecem atenção redobrada devido às características anatômicas que dificultam naturalmente a respiração. A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação, associada a medidas de manejo e higiene.

Entre as recomendações estão:
– Manter a vacinação em dia
– A imunização reduz significativamente o risco de infecção e a gravidade dos sintomas.
– Evitar contato com animais doentes
– Cães com sintomas respiratórios não devem frequentar ambientes coletivos até receberem avaliação veterinária.
– Verificar protocolos sanitários de hotéis e creches
– Estabelecimentos devem exigir carteira de vacinação atualizada dos animais
– Estimular a hidratação
– A ingestão adequada de água ajuda a preservar a saúde das vias respiratórias.
– Garantir boa ventilação dos ambientes
– Locais fechados favorecem a circulação de agentes infecciosos.
– Evitar automedicação
– Medicamentos de uso humano podem ser tóxicos e trazer riscos graves à saúde dos pets.

Ao notar tosse persistente, dificuldade respiratória, secreções, febre, apatia ou perda de apetite, a recomendação é procurar atendimento veterinário.

“Quanto mais rápido o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de recuperação sem complicações. O inverno exige atenção especial dos tutores porque pequenas alterações respiratórias podem evoluir rapidamente em pacientes mais vulneráveis”, conclui o especialista.

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