Finanças

Brasileiros trocam crédito tradicional por compra planejada diante da pressão das dívidas e da inadimplência

Consórcio: quando a decisão financeira deixa de ser urgência e vira estratégia. Crédito: FreePik
Consórcio: quando a decisão financeira deixa de ser urgência e vira estratégia. Crédito: FreePik

Alta do endividamento compromete o orçamento das famílias e impulsiona a busca por alternativas mais previsíveis para aquisição de bens e formação de patrimônio

Data de Publicação: 26/maio/2026

O recorde de endividamento das famílias brasileiras tem mudado a forma como o consumidor se relaciona com crédito, consumo e planejamento patrimonial. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 80,9% das famílias brasileiras estavam endividadas em abril de 2026, o maior percentual da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O avanço reacende a busca por modalidades consideradas mais previsíveis para aquisição de bens, especialmente entre consumidores que tentam reorganizar o orçamento e evitar novas pressões com juros.

Para Carlos Fuzinelli, empreendedor, CEO e cofundador da FVL Consórcios, corretora especializada em planejamento financeiro e aquisição patrimonial por consórcio com atuação nacional e estratégia de expansão por franquias, a mudança vai além de uma simples troca de produto financeiro. Fundada em 2019, a FVL se consolidou como uma das principais corretoras de consórcios do país, com atuação consultiva voltada à formação de patrimônio e meta de ultrapassar R$1 bilhão em vendas até 2026. “O consumidor brasileiro está mais cauteloso. Depois de anos convivendo com crédito caro, parcelas imprevisíveis e orçamento pressionado, cresce a busca por alternativas que devolvam previsibilidade. O consórcio passa a ser visto não apenas como forma de compra, mas como instrumento de planejamento patrimonial.”

O movimento aparece também nos números do crédito. Dados do Banco Central mostram que as concessões de crédito livre para pessoas físicas recuaram 8,1% entre janeiro e fevereiro de 2026, sinalizando um consumidor mais pressionado pelo endividamento e mais resistente a assumir novas obrigações financeiras em meio ao custo elevado do crédito.

A mudança de comportamento encontra respaldo também no próprio desempenho do sistema de consórcios. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o setor atingiu mais de 12,9 milhões de participantes ativos em março de 2026, crescimento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, consolidando a modalidade como alternativa para consumidores que buscam previsibilidade financeira sem incidência de juros.

A CNC aponta ainda que 29,7% das famílias brasileiras tinham contas em atraso em abril, enquanto 12,4% declararam não ter condições de quitar suas dívidas. Na prática, a deterioração da saúde financeira reduz capacidade de consumo, restringe acesso a novas linhas de crédito e leva o consumidor a rever prioridades patrimoniais.

Segundo Fuzinelli, esse movimento expõe um problema estrutural de educação financeira no país. “Muita gente ainda toma decisão olhando apenas a parcela que cabe no mês, sem avaliar o custo total daquela escolha ao longo dos anos. Esse comportamento ajuda a explicar por que tantas famílias permanecem presas em ciclos de endividamento.”

Quando a decisão financeira deixa de ser urgência e vira estratégia

Especialistas em planejamento financeiro apontam que decisões patrimoniais mais sustentáveis costumam partir de três pilares básicos:

  1. Entender o impacto real da parcela no orçamento familiar no longo prazo, evitando compromissos que pressionem a renda além da capacidade saudável de pagamento;
  2. Avaliar o custo total da operação, e não apenas o valor da entrada ou da parcela inicial, para evitar decisões financeiramente distorcidas;
  3. Alinhar a aquisição a um objetivo patrimonial concreto, como moradia, mobilidade ou expansão de patrimônio, em vez de responder apenas ao impulso imediato de consumo.

Para Fuzinelli, a discussão precisa ir além do produto financeiro. “O debate central não deveria ser apenas sobre qual crédito contratar, mas sobre como construir patrimônio de forma sustentável. Quando o consumidor entende isso, ele deixa de reagir à urgência e passa a decidir com estratégia.”

Com projeção de alcançar 60 franquias em operação até o fim de 2026, a FVL Consórcios aposta justamente no fortalecimento dessa agenda, conectando planejamento financeiro, educação patrimonial e expansão empresarial. Para a companhia, a transformação no comportamento do consumidor deve continuar influenciando não apenas a forma de consumir, mas também a lógica de construção de patrimônio no país.

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