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Apresentação acontece no dia 17 de maio, às 18h, em Belo Horizonte, ao ar livre
Data de Publicação: 12/maio/2026 atrás
Trágico subúrbio reúne obras do artista autodidata que retratou cenas de guerra, naufrágios, ritos de umbanda e conflitos sociais no Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960
A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio, nas galerias expositivas do 2º andar do edifício Pina Luz. Primeira mostra institucional do artista carioca reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro. A curadoria é de Pollyana Quintella e Renato Menezes.
Paulo Pedro Leal (1900 – 1968) passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século XX, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
Sobre a exposição
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra. Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
A Pinacoteca de São Paulo publica também o catálogo da exposição, que inclui dois ensaios inéditos, que buscam situar a obra de Paulo Pedro Leal em seu contexto histórico. O livro conta ainda com artigos de jornal, textos críticos fundamentais, uma cronologia e uma entrevista com o pintor Maxwell Alexandre.
SOBRE O ARTISTA
Paulo Pedro Leal (1900 – 1968) foi um leitor assíduo de jornais, ex-estivador, empregado doméstico, iniciado desde cedo nos cultos jeje-nagô, vendedor ambulante de quadros e brinquedos de madeira e papelão no Passeio Público. PPL – abreviação criada pelo próprio artista e que depois passou a ser utilizada de forma corrente e afetuosa – construiu uma obra baseada sobretudo no fluxo da vida nas ruas, à margem dos circuitos institucionais da arte brasileira do século XX.
SERVIÇO:
Pinacoteca de São Paulo
Edifício Pina Luz | 2º andar
De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Gratuitos aos sábados – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso
2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3
Apresentação acontece no dia 17 de maio, às 18h, em Belo Horizonte, ao ar livre
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