Peça “Homem que é homem não chora” destaca ao público importantes reflexões sobre machismo e homofobia

Na montagem, os atores Felipe Damazzo e Hamar Rabah dialogam com um jogo de palavras sobre suas opções sexuais e olhares em relação à vida.

Com direção de Rogério Fabiano, peça fica em cartaz até 28 de maio, no Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo. Crédito: divulgação

Em cartaz no palco do Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo, a peça “Homem que é Homem não chora”, escrita por Alex Giostri e Sérgio Savian, com direção de Rogério Fabiano e produção de Gerardo Franco, destaca como narrativa à reflexão do público, importantes questões sobre masculinidade e homofobia,  No palco os atores Felipe Damazzo (Ivan) e Homar Rabah (Clóvis), apresentam de modo bastante divertido, através da linguagem da comédia, temáticas bastante discutidas em tempos contemporâneos. O espetáculo tem como diferencial uma abordagem psicológica dos dramas, carências e incertezas que cercam as personalidades distintas destes dois personagens no mundo atual.

“O que mais me interessa, neste texto, é a palavra, o sentimento, os objetivos e sentimentos dos personagens… São viscerais e ao mesmo tempo, tentam se esconder, se defender, por insegurança e baixa auto-estima. O texto apresenta e disseca, as camadas dos sentimentos de cada personagem. Aos poucos, ambos vão se revelando, se abrindo e se revelando.E é tão bom olhar pelo buraco da fechadura e se identificar com o que é visto”, destaca o diretor Rogério Fabiano.

Ele completa: “Esta peça é um espetáculo de identificação, onde os sentimentos e os desejos são sofridos pelos preconceitos. E os autores, conseguem, através da trama, e dos personagens, mostrar que desejo, fetiche, prazer e ultrapassar todos os limites da estima, da aceitação e do medo da rejeição e dos gatilhos e trás todos os medos, a flor da pele. Após assistir essa peça, o espectador sai modificado e cheio de coragem pra ser feliz”, finaliza.

O ator Felipe Damazzo, pontua que o texto traz personagens viscerais, com certa densidade dramática e um pouco de alívio cômico. “Desde o primeiro contato que tive com o texto, vi a potência que o Ivan trazia à história e a importância para o público em conhecê-lo, e entender quem é este cara e o porquê ele está ali. Trata-se de um personagem complexo, profundo, com traumas, amores e peculiaridades, que o torna único. Ele traz dores que eu também carrego. Isso me fez aceitar logo de cara este trabalho”, comenta o ator. “A preparação está incrível e mágica. A cada dia, descobrimos uma nova camada do Ivan e da relação dele para com o Clóvis. A sintonia e relação que criei com meu colega de cena tem sido muito importante e necessária para deixar o espetáculo intenso e com gostinho de quero mais”, completa Damazzo.

“O Clóvis é um personagem que está e sempre esteve presente na nossa realidade. Todo mundo conhece alguém como ele, o cara machão, conservador, que não sabe lidar com os próprios sentimentos e que não suporta nem a ideia de ter amigos gays, mas que no fundo, talvez possa esconder um desejo reprimido. Será? Essa é a grande dúvida que fica no ar, e que cada um poderá tirar sua própria conclusão”, brinca o ator Homar Rabah que confirma um intenso processo preparativo para seu personagem. “Existem novas descobertas a cada dia. O universo do teatro é mágico justamente por nos dar a oportunidade de nos redescobrirmos e nos reinventarmos a todo instante”, finaliza Homar.

SINOPSE
“Homem que é homem não chora” é uma história ambientada no banheiro de um aeroporto. Conta a história de dois homens que, devido um apagão em um aeroporto ficam presos no banheiro por várias horas e se enfrentam em um jogo de palavras nem um pouco delicadas sobre suas opções sexuais e olhares em relação à vida. Nesta convivência forçada descobrem nuances de suas personalidades e enfrentam os dilemas da aceitação do outro.

Permitindo assim, um momento de reflexão sobre a forma como encaram a vida e seus próprios relacionamentos familiares e sociais, sob as duas perspectivas masculinas, a heterossexual e a homossexual nas suas semelhanças e divergências. Nesse período em que estão presos neste banheiro, a sensação de claustrofobia chega ao limite por meio de duras agressões verbais onde revelam seus medos e recalques. A partir de uma ação mal interpretada, vêm à tona todos os preconceitos e intolerâncias gerando uma batalha de personalidades.

“Homem Que é Homem Não Chora” foi escrita há cerca de 20 anos, mas ainda traz questões sociais que perduram, o que faz a obra ser muito necessária nos dias atuais.

SERVIÇO:

Homem que é Homem não Chora
Teatro Bibi Ferreira (Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 931 – Bela Vista)
Temporada: Até final de Maio, com apresentações às quintas-feiras, 21 horas
Faixa etária: 18 anos
Gênero: Drama / Comédia
Ingressos: R$ 60,00 a R$ 120,00
Compra de ingressos: aqui

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