Profissionais que decidiram empreender após os 50 anos mostram como maturidade, conhecimento e rede de contatos têm impulsionado novos negócios.
Durante muito tempo, a carreira profissional foi pensada como uma linha reta: estudar, trabalhar por anos e, por fim, se aposentar. Hoje, essa lógica já não reflete a realidade de milhões de brasileiros. Com o aumento da longevidade e as transformações no mercado de trabalho, cresce o número de pessoas que encontram no empreendedorismo uma oportunidade para iniciar uma segunda carreira após os 50 anos.
A tendência já aparece nos números. Segundo o Sebrae, a taxa de empreendedores iniciantes entre pessoas de 55 e 64 anos cresceu 77% entre 2023 e 2024. Entre aqueles que já possuem negócios consolidados nessa mesma faixa etária, o crescimento foi de 10% no período. Os dados mostram que cada vez mais profissionais têm transformado décadas de experiência em novos empreendimentos.
É o caso de Rosimeire Machado, que transformou a experiência acumulada na culinária em um negócio voltado à alimentação inclusiva. Depois de uma separação, trabalhou com carteira assinada e, durante a pandemia, deixou o emprego para cuidar do pai. Foi nesse período que começou a desenvolver geleias, antepastos, granolas e outros produtos sem açúcar, além de iniciativas que unem sustentabilidade e inclusão alimentar.
Para ela, não existe uma única razão para empreender depois dos 50 anos. “Empreender acima dos 50 anos está dividido entre transição de carreira, realização pessoal e também por necessidade. Depende muito da realidade de cada um naquele momento. No meu caso, deixei o trabalho CLT para cuidar do meu pai e resolvi fazer algo diferente, unindo qualidade de vida, inclusão e geração de renda”, afirma.
Para Mórris Litvak, fundador e CEO da Maturi, o avanço do empreendedorismo entre profissionais maduros acompanha uma transformação mais ampla no mercado de trabalho. Em uma sociedade que vive mais e permanece economicamente ativa por mais tempo, é natural que novas trajetórias profissionais ganhem espaço.
“A segunda carreira não significa começar do zero. Em muitos casos, ela surge como resposta às mudanças do mercado de trabalho, mas é construída a partir da experiência acumulada, das competências desenvolvidas ao longo da vida e da rede de relacionamentos criada em décadas de atuação. É justamente esse repertório que permite aos profissionais maduros criar negócios consistentes e relevantes”, afirma.
Outra trajetória é a de Patrícia Checco, que, após mais de 30 anos atuando na área de marketing, decidiu abrir uma unidade da Acuidar, empresa especializada em cuidados para pessoas idosas. A mudança aconteceu depois do encerramento de um ciclo no mercado corporativo e foi impulsionada tanto pela oportunidade de empreender quanto pela dificuldade de recolocação profissional.
“Acredito que foi uma decisão motivada pelos dois fatores. Eu já estudava o tema da longevidade e, quando encerrei meu ciclo na última empresa, achei que era o momento de iniciar uma nova jornada profissional, unindo propósito e experiência”, explica.
Segundo Patrícia, a bagagem construída ao longo de três décadas foi fundamental para estruturar o negócio, especialmente em áreas como planejamento estratégico, experiência do cliente e gestão. Ao mesmo tempo, ela avalia que o empreendedorismo também foi uma resposta ao cenário enfrentado por profissionais maduros no mercado de trabalho.
“As dificuldades começam antes mesmo do empreendedorismo. O mercado ainda é muito etarista. Profissionais acima dos 40 anos já enfrentam preconceito em muitos processos seletivos. Quando percebi esse cenário, entendi que fazia mais sentido investir minha energia na construção do meu próprio negócio do que tentar voltar para o mercado corporativo”, afirma.
O empreendedorismo brasileiro também passa por uma mudança de perfil. Dados do Monitor Global de Empreendedorismo (GEM), realizado pelo Sebrae em parceria com a Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe), mostram que, em 2025, pessoas com mais de 45 anos representaram o maior grupo entre os empreendedores em estágio inicial do país, respondendo por 33,7% daqueles que estavam abrindo um negócio ou tinham empresas com até três anos e meio de atividade.
Sobre a Maturi
A Maturi é a principal empresa brasileira especializada em empregabilidade, desenvolvimento e capacitação de profissionais com 50 anos ou mais. Fundada em 2015, é pioneira em diversidade etária no Brasil e oferece soluções para organizações que buscam fortalecer times multigeracionais, impulsionar a inovação, aumentar a colaboração entre equipes para reduzir o turnover, transformando a longevidade em valor estratégico para os negócios e para a sociedade.
No lado corporativo, atuou com mais de 815 organizações entre elas PwC, Johnson & Johnson, Sanofi, Volkswagen, Bradesco e Grupo Boticário com soluções que vão do recrutamento especializado (MaturiHunting) ao diagnóstico organizacional e à certificação internacional Age Friendly Employer, da qual é representante oficial e exclusiva no Brasil, já concedida a 24 empresas.
Com mais de 88 mil profissionais capacitados, 9.200 recolocações no mercado e uma comunidade de 300 mil cadastrados em todo o Brasil, a Maturi posiciona a diversidade etária não como pauta de responsabilidade social, mas como decisão estratégica para organizações que querem crescer com as cinco gerações. Saiba mais em maturi.com.br.