Pinacoteca de São Paulo apresenta primeira Mostra Institucional de Paulo Pedro Leal

Afogamento de mendigos (1965)

Trágico subúrbio reúne obras do artista autodidata que retratou cenas de guerra, naufrágios, ritos de umbanda e conflitos sociais no Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio, nas galerias expositivas do 2º andar do edifício Pina Luz. Primeira mostra institucional do artista carioca reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro. A curadoria é de Pollyana Quintella e Renato Menezes.

Paulo Pedro Leal (1900 – 1968) passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século XX, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.

Sobre a exposição
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra. Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).

Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.

Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).

A Pinacoteca de São Paulo publica também o catálogo da exposição, que inclui dois ensaios inéditos, que buscam situar a obra de Paulo Pedro Leal em seu contexto histórico. O livro conta ainda com artigos de jornal, textos críticos fundamentais, uma cronologia e uma entrevista com o pintor Maxwell Alexandre.

SOBRE O ARTISTA
Paulo Pedro Leal (1900 – 1968) foi um leitor assíduo de jornais, ex-estivador, empregado doméstico, iniciado desde cedo nos cultos jeje-nagô, vendedor ambulante de quadros e brinquedos de madeira e papelão no Passeio Público. PPL – abreviação criada pelo próprio artista e que depois passou a ser utilizada de forma corrente e afetuosa – construiu uma obra baseada sobretudo no fluxo da vida nas ruas, à margem dos circuitos institucionais da arte brasileira do século XX.

SERVIÇO:     
Pinacoteca de São Paulo  
Edifício Pina Luz | 2º andar
De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)   
Gratuitos aos sábados – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso 
2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3   

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