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Apresentação acontece no dia 17 de maio, às 18h, em Belo Horizonte, ao ar livre
Data de Publicação: 12/maio/2026 atrás
Mostra no São Paulo Gallery dá kick-off na SP-Arte 2026.
O que acontece quando a argila encontra a memória? Quando a mão que molda o barro é a mesma que planta a semente, que colhe a folha medicinal, que pede licença à floresta antes de tocar em qualquer galho?
A arte em cerâmica feita pelas mulheres indígenas da etnia Jenipapo Kanindé presente na exposição “Encantadas – Mulheres Jenipapo Kanindé e a Memória Viva das Árvores” revela, ao mesmo tempo, o grito e o sussurro, uma oferenda artística e ambiental nas vozes, nos corpos e pelas mãos que conectam saberes, histórias e natureza presentes no território nativo do município histórico de Aquiraz, na região metropolitana da Fortaleza, e que foi a primeira Capital do Ceará.
A mostra “Encantadas” aberta no dia 01 de abril, no São Paulo Gallery (Av. Brasil 2188, Jardim América – São Paulo-SP), reúne aproximadamente 50obras produzidas no Ateliê de Cerâmica da ONG Tapera das Artes, referência nacional no fomento à cultura, sob a direção artística pedagógica da ceramista Denise Saboia e traz a oferenda das mulheres indígenas ao circuito da SP-Arte, sob a curadoria de Ana Carolina Ralston. Realização do Ministério da Cultura, a mostra celebra o protagonismo indígena feminino em um manifesto sensível na defesa da vida e das florestas e representa também a evolução de uma colaboração de longa data entre a Roca Brasil e a Tapera das Artes, construída ao longo de dez anos. Ao unir arte, educação e impacto social, a iniciativa fortalece saberes do território e amplia sua presença em novos circuitos expositivos.
Em grandes potes de cerâmica modelados à mão — uma tradição milenar —, as artistas mulheres indígenas da aldeia inscreveram o que a linguagem ocidental na era contemporânea raramente consegue nomear: a relação de parentesco entre o corpo feminino e as árvores nativas do seu território. As tramas dos troncos, na tessitura das impressões digitais das árvores, marcam a luta incansável pela sobrevivência do ser, do verde. Peixes que nadam entre rendas brancas sobre argila crua e folhas soltas de cajueiro impressas no ventre de vasos mostram com leveza que a esperança estampada em cada obra é um tratado de cosmologia feito com as mãos, que, agora, transformam esses saberes em forma, volume e pigmento — levando à SP-Arte, o que sempre existiu no território como resistência cotidiana.
As obras foram concebidas e executadas durante processo coletivo de criação realizado nas imersões pelos cantos mágicos da mata existente no entorno da Lagoa Encantada — que já traz no próprio nome o eco de magia que permeia a exposição –, localizada no município de Aquiraz (CE). Parte delas passou ainda por uma etapa singular: a queima em forno industrial da empresa Roca, patrocinadora do projeto pedagógico da Tapera das Artes, numa experiência em que tecnologia e ancestralidade dividiram o mesmo espaço físico, como se o tempo dobrasse sobre si mesmo.
Para além do suporte técnico, a presença da Roca evidencia seu compromisso contínuo com o estímulo ao design e à produção cultural nos contextos em que atua, sendo um princípio estruturante da companhia, que se materializa também em plataformas e eventos dedicados à promoção de encontros entre diferentes linguagens e repertórios.
“Entendemos o design como uma ferramenta capaz de impulsionar conexões e valorizar identidades culturais. Ao apoiar projetos como este, contribuímos para dar visibilidade a conhecimentos ancestrais e incentivar novas leituras no cenário contemporâneo”, afirma Luiz Claudio Pinto, Gerente de Qualidade, membro do comitê de ações sociais da Roca Brasil.
Num momento em que o desmatamento da Caatinga e a especulação sobre terras indígenas atingem índices alarmantes, as “Encantadas” recusam o silêncio. Cada vaso, cada marca de folha impressa na argila, cada renda branca sobre o barro cru é também uma linha de frente: a arte como forma de demarcação simbólica do território, como gesto político de mulheres que compreendem que defender a floresta é defender a si mesmas. “A terra não nos pertence, nós é que pertencemos a ela“, dizem as mulheres Jenipapo Kanindé. E as obras dizem o mesmo, sem precisar de palavras.
“Ao moldar a argila com cascas de árvores, sementes e folhas, sinto que estou semeando a memória da floresta nas mãos das alunas indígenas, perpetuando a sabedoria da terra e a resiliência da cultura.” Diz Denise Saboia, diretora artística e pedagógica do atelier de cerâmica da Tapera das Artes.
“As mulheres Encantadas da etnia Jenipapo Kanindé não são apenas artesãs, são raizeiras, parteiras de saberes, guardiãs de uma biblioteca viva que não cabe em nenhuma prateleira. São elas quem conhecem qual planta cura, qual alimenta, qual protege espiritualmente. São elas que pedem licença à floresta antes de colher qualquer folha”, diz Ritelza Cabral, fundadora da Tapera das Artes.
“Fico feliz em ter a mostra ‘Encantadas: Mulheres Jenipapo Kanindé e a Memória Viva das Árvores” no espaço do São Paulo Gallery para celebrar o início da edição 2026 da SP-Arte. Trazer o protagonismo indígena feminino para o circuito do evento se soma ao nosso compromisso com a causa”, afirma Fernanda Feitosa, fundadora e diretora da SP-Arte.
“A poesia criada pelas mulheres Jenipapo Kanindé em formas, texturas e cores nos objetos selecionados para esta exposição resgatam a visão cosmológica e ancestral necessária para que a conexão com o mundo ambiental não se perca. A mostra é um potente e instigante ponto de contato entre o universo das artes e a natureza, algo que deve ser fomentado cada vez mais”, reflete Ana Carolina Ralston, curadora e pesquisadora.
“As ‘Encantadas’ expõem a íntima correspondência entre o ciclo da mulher e o ciclo das árvores — o florescimento, a frutificação, a dormência, o renascimento. O corpo feminino que sangra com a lua é o mesmo que sabe quando plantar e quando deixar a terra descansar”, diz Glaubiana Alves, presidente da Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo Kanindé, parceira da Tapera das Artes.
Serviço
Exposição: ENCANTADAS — Mulheres Indígenas Jenipapo Kanindé e a Memória Viva das Árvores
Local: São Paulo Gallery, na Av. Brasil 2188, Jardim América -SP
Período: 01 a 30 de abril de 2026
Realização: ROCA e TAPERA DAS ARTES
Artistas: Mulheres da Etnia Jenipapo Kanindé — Aldeia Lagoa Encantada, Aquiraz – CE
Direção Artística Pedagógica- Denise Saboia
Curadoria- Ana Carolina Ralston
Produção Executiva – Travessia Produções Artísticas
Técnica: Cerâmica modelada à mão, impressão botânica e pintura com engobe branco sobre argila natural
Temática: Relação das mulheres indígenas com as árvores nativas do território — espiritualidade, cosmovisão e resistência ambiental
Fotografia: Gentil Barreira
Videoinstalação: Alumeia Filmes
Fonte: Roca/A4&holofote Comunicação
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