Finanças

13º salário: como priorizar dívidas e organizar as finanças para o próximo ano

Quitar uma dívida à vista pode ser vantajoso quando há desconto e o pagamento não compromete o dinheiro necessário para as contas do dia a dia. Crédito: Unsplash
Quitar uma dívida à vista pode ser vantajoso quando há desconto e o pagamento não compromete o dinheiro necessário para as contas do dia a dia. Crédito: Unsplash

Professor de Gestão Financeira orienta como priorizar débitos, prever os gastos de janeiro e começar a construir uma reserva financeira

Data de Publicação: 26/out/2026

Quitar dívidas, pagar as contas de janeiro ou guardar dinheiro para imprevistos? Para quem vai receber o 13º salário, decidir como distribuir o benefício pode fazer a diferença no orçamento dos próximos meses. A escolha depende da situação financeira de cada pessoa e exige atenção às prioridades e aos compromissos já assumidos.

Antes de definir o destino do dinheiro, o primeiro passo é avaliar as próprias finanças. Segundo Walter Romito, professor do curso de Gestão Financeira do IBMR, dividir as despesas em três grupos ajuda a estabelecer prioridades: necessidades essenciais; dívidas e compromissos já assumidos; e gastos que podem esperar.

“O 13º salário é uma oportunidade de começar um novo ciclo com menos preocupações e mais liberdade para realizar planos. O segredo é decidir o destino desse dinheiro antes mesmo de recebê-lo. Afinal, quando não planejamos como gastar, acabamos gastando sem perceber”, comenta o professor.

Priorizar as dívidas exige estratégia
Para quem está endividado, a recomendação é dar atenção aos débitos que podem comprometer necessidades básicas, como moradia e serviços essenciais, além daqueles com juros elevados, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial.

Quitar uma dívida à vista pode ser vantajoso quando há desconto e o pagamento não compromete o dinheiro necessário para as contas do dia a dia. Já negociar ou parcelar pode ser uma alternativa para quem não dispõe do valor integral, desde que as condições sejam compatíveis com a renda disponível.

“Uma dívida de R$ 2 mil que pode ser quitada por R$ 1.600 parece uma ótima oportunidade. Mas será que vale a pena ficar sem dinheiro para as despesas básicas da família? A melhor negociação é aquela que resolve um problema sem criar outro”, destaca Romito.

Planejar janeiro antes de gastar em dezembro
Os custos típicos do início do ano, como IPVA, IPTU, rematrículas e material escolar, também precisam entrar nessa conta. Separar antecipadamente o valor necessário para esses compromissos ajuda a evitar empréstimos e novos parcelamentos nos primeiros meses do ano.

Uma família que recebe R$ 4 mil de 13º salário e prevê R$ 1.500 em gastos para janeiro, por exemplo, pode reservar essa quantia e destinar os R$ 2.500 restantes à redução das dívidas. Também vale comparar os descontos oferecidos para o pagamento antecipado de impostos com as condições de parcelamento, considerando o impacto de cada opção no orçamento.

Reserva financeira também entra no planejamento
A possibilidade de guardar parte do benefício depende das condições financeiras de cada família. Para quem enfrenta dívidas com juros elevados ou corre o risco de atrasar despesas essenciais, quitar essas pendências deve ser prioridade. Já quem consegue manter os pagamentos em dia pode aproveitar uma parcela do dinheiro para começar a formar uma reserva para imprevistos.

Mesmo pequenas quantias podem ajudar nesse processo. Quem recebe R$ 2 mil de 13º salário, por exemplo, pode avaliar se consegue separar R$ 100 ou R$ 200 sem comprometer outras necessidades. “Mais importante do que começar guardando muito dinheiro, é criar o hábito de guardar o que for possível, com regularidade. Uma reserva financeira se constrói aos poucos”, afirma o professor.

Cuidado com as compras por impulso
As promoções de fim de ano podem parecer uma boa oportunidade, mas é importante avaliar se a compra é realmente necessária e se as parcelas cabem nas contas dos próximos meses. “Imagine alguém que, animado com a chegada do 13º salário, decide comprar uma televisão de R$ 3.600, parcelada em 12 vezes de R$ 300. A compra pode até parecer vantajosa, mas existe uma pergunta fundamental: esses R$ 300 caberão no orçamento de todos os meses seguintes? Afinal, o 13º salário acaba, mas as parcelas continuam”, exemplifica Romito.

Mais do que aproveitar o dinheiro extra para realizar desejos imediatos, a recomendação é usá-lo de forma consciente, considerando também os compromissos futuros. “O melhor uso do 13º salário não é aquele que proporciona a maior satisfação em dezembro, mas o que permite olhar para janeiro sem arrependimentos”, conclui o professor.

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