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Mulheres ainda são minoria entre CEOs, mas atuam 24% mais no LinkedIn, aponta estudo

O levantamento analisou a atividade de 225 presidentes de grandes companhias, instituições financeiras e empresas de alto crescimento entre 2025 e 2026. Crédito: FreePik
O levantamento analisou a atividade de 225 presidentes de grandes companhias, instituições financeiras e empresas de alto crescimento entre 2025 e 2026. Crédito: FreePik

Pesquisa da FGV EAESP com 225 lideranças mostra que executivas representam apenas 7,6% da amostra, mas superam a média geral em frequência de publicação e engajamento

Data de Publicação: 18/set/2026

Ainda minoria no comando das grandes empresas brasileiras, as mulheres apresentam uma presença proporcionalmente mais ativa no LinkedIn. Pesquisa da FGV EAESP mostra que as executivas publicam, em média, 44,82 vezes por ano, número 24% superior à média de 36,07 publicações registrada entre os 225 CEOs acompanhados pelo levantamento. Elas também superam a média geral de engajamento na plataforma.

O resultado contrasta com a baixa participação feminina na principal cadeira das organizações. Apenas 17 dos 225 executivos analisados são mulheres, equivalente a 7,56% da amostra. Apesar da representação restrita, elas acumulam em média 98.760 interações por ano, ante 95.297 considerando todos os líderes pesquisados.

Para Lilian Carvalho, professora da FGV EAESP e uma das responsáveis pelo estudo, os números indicam que presença digital e posição hierárquica não necessariamente seguem a mesma proporção. “Existe uma diferença importante entre ocupar espaço na liderança corporativa e ocupar espaço no debate público. As mulheres ainda são poucas nas posições de CEO, mas, quando chegam a essas cadeiras, os dados mostram uma atuação digital bastante ativa. Elas publicam com maior frequência e conseguem gerar um nível de interação que supera a média da amostra”, afirma Lilian.

O levantamento analisou a atividade de 225 presidentes de grandes companhias, instituições financeiras e empresas de alto crescimento entre 2025 e 2026. Foram considerados frequência de publicação, engajamento e estratégias de conteúdo, além de análises sobre os temas e sentimentos presentes nas postagens. A seleção dos executivos utilizou o método Delphi, baseado em consultas sucessivas e anônimas a profissionais como diretores de recursos humanos, headhunters e analistas de mercado.

A pesquisa também mostra que a influência digital não depende apenas do tamanho da audiência. Entre os dez executivos de maior destaque no estudo, há diferenças expressivas no número de seguidores e na eficiência das publicações. Ana Sanches, por exemplo, aparece no Top 10 mesmo com uma audiência menor do que alguns dos demais integrantes do ranking e registra a maior taxa de engajamento proporcional do grupo, de 132,61%.

“Isso ajuda a desmontar a ideia de que influência digital é simplesmente uma corrida por seguidores ou pelo maior número de posts. O que importa é a capacidade de construir uma conversa relevante com a audiência. No caso das mulheres analisadas, chama atenção justamente a combinação entre constância e resposta do público”, diz Lilian.

CEOs estão mais presentes, mas presença não significa influência
O recorte feminino faz parte de uma mudança mais ampla na relação dos principais executivos brasileiros com as redes sociais. Na primeira edição da pesquisa, realizada em 2022, quase metade dos presidentes das empresas analisadas permanecia fora do LinkedIn. No levantamento atual, os 225 executivos monitorados possuem presença ativa na plataforma. Juntos, eles produziram cerca de 8 mil publicações em um ano.

Os resultados também revelam diferenças relevantes entre setores. Bancos lideram em engajamento total, com 742,4 mil interações, enquanto o segmento de veículos e peças apresenta a maior eficiência por publicação, com média de 1.487 interações por post. O setor de tecnologia e telecomunicações, por sua vez, registra média de 67,3 publicações anuais por executivo.

Para Lilian, a consolidação do LinkedIn como espaço ocupado pela alta liderança torna mais importante distinguir visibilidade de influência. “Estar na rede deixou de ser a principal questão. O desafio agora é entender o que o executivo faz com esse espaço, se consegue estabelecer uma voz própria e se existe uma audiência disposta a interagir com aquilo que ele diz. Os dados mostram que frequência, tamanho da base e influência não são necessariamente a mesma coisa”, afirma.

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