Com uma força de trabalho mais longeva e aumento de profissionais 50+, especialistas alertam que silêncio corporativo pode comprometer retenção, produtividade e diversidade
Uma em cada dez mulheres já deixou o emprego por causa dos sintomas da menopausa. No Brasil, 47% das profissionais afirmam que essa fase impacta sua vida profissional. Mesmo assim, o tema ainda permanece invisível em muitas empresas, que deixam de incluir a menopausa nas estratégias de saúde, diversidade e retenção de talentos.
O alerta ganha relevância em um cenário de transformação do mercado de trabalho: nos últimos dez anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais ocupadas cresceu 53%, reforçando uma realidade de carreiras mais longas e maior presença de profissionais maduros nas organizações.
Para a Maturi, empresa especializada em empregabilidade e inclusão de profissionais 50+, a menopausa deixou de ser apenas uma questão de saúde feminina e passou a ser uma pauta estratégica de gestão de pessoas.
“A menopausa acontece justamente em uma fase em que muitas mulheres estão no auge da carreira, ocupando posições estratégicas, liderando equipes e acumulando conhecimento. Quando as empresas não olham para essa realidade, podem perder profissionais altamente qualificados, além de experiência e inovação”, afirma Andrea Tenuta, head de Novos Negócios da Maturi.
Menopausa e idadismo: uma dupla barreira para mulheres 50+
Ondas de calor, insônia, ansiedade, fadiga e dificuldade de concentração estão entre os sintomas associados à menopausa. No ambiente corporativo, porém, muitas mulheres evitam falar sobre o tema por receio de serem vistas como menos produtivas, menos preparadas ou menos aptas a assumir novos desafios.
Segundo a Maturi, esse cenário se soma a outro obstáculo já conhecido no mercado: o idadismo. Para muitas profissionais acima dos 50 anos, a menopausa e o preconceito relacionado à idade criam uma dupla barreira que pode afetar oportunidades, reconhecimento e permanência no trabalho.
“Existe uma dupla invisibilidade: de um lado, o tabu em torno da menopausa; de outro, os vieses relacionados à idade. As mulheres seguem trabalhando e entregando resultados, mas enfrentam dificuldades para falar sobre uma fase natural da vida”, explica Andrea.
Da pauta de saúde à estratégia de negócios
Organizações em diferentes países já começam a adotar iniciativas para acolher profissionais nessa fase, como capacitação de lideranças, programas de conscientização, flexibilização de rotinas e criação de ambientes mais abertos ao diálogo.
No Brasil, a discussão ainda está em evolução, mas a mudança demográfica aumenta a urgência do tema. Para a Maturi, empresas que desejam construir ambientes preparados para o futuro do trabalho precisarão considerar as diferentes fases da vida de seus colaboradores.
“As empresas já avançaram em discussões sobre saúde mental, parentalidade, diversidade e inclusão. A menopausa precisa fazer parte dessa agenda porque envolve bem-estar, permanência, produtividade e retenção de talentos. É uma pauta humana, mas também estratégica para os negócios”, afirma Andrea.
Com o envelhecimento da população e a expansão das carreiras mais longas, a menopausa deixa de ser uma questão individual para se tornar parte da agenda estratégica das organizações. Para empresas que buscam ambientes mais diversos e preparados para o futuro do trabalho, reconhecer diferentes fases da vida profissional será cada vez mais essencial para atrair, desenvolver e reter talentos.