Modalidade combina 8 km de corrida com exercícios funcionais. Professora do CEUB orienta sobre progressão, técnica e cuidados para evitar lesões e exaustão
Corrida, força e resistência em uma mesma prova. Essa é a proposta do Hyrox, modalidade esportiva que intercala oito quilômetros de corrida com estações de exercícios funcionais. A atividade criada na Alemanha vem conquistando praticantes no Brasil em busca de treinos mais intensos e desafiadores. Embora possa contribuir para o condicionamento físico, Leandra Batista, professora de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB), alerta que a modalidade exige preparo, domínio da técnica e respeito aos limites do corpo.
“O Hyrox combina corrida e exercícios funcionais em treinamento de alta intensidade. Por isso, quem deseja praticá-lo precisa estar preparado e ter orientação adequada”. Segundo Leandra, o desenvolvimento de resistência cardiovascular, força e potência depende de planejamento e progressão compatíveis com o condicionamento de cada pessoa. “É um método interessante, mas precisa ser executado com coerência e acompanhamento profissional. O monitoramento é fundamental porque a atividade pode elevar bastante a frequência cardíaca”, afirma.
Quem está começando pode praticar?
De acordo com a especialista do CEUB, iniciantes podem fazer treinos inspirados no Hyrox, desde que a atividade seja adaptada. Não é necessário cumprir todas as etapas, percorrer a distância completa ou utilizar cargas elevadas desde as primeiras sessões. Para pessoas sedentárias ou que estão retomando a prática de exercícios, a orientação é passar por uma avaliação física e funcional antes de iniciar treinos de alta intensidade.
Quem tem histórico de problemas cardíacos, respiratórios, metabólicos, musculares ou esqueléticos também deve buscar avaliação médica. “A progressão precisa ser gradual. A pessoa pode começar com distâncias menores, cargas mais leves e intervalos maiores de recuperação”, orienta a professora.
Aumentar a carga melhora o resultado?
Elevar o peso, a velocidade ou a intensidade sem conseguir preservar a execução correta dos movimentos pode aumentar o risco de lesões. Segundo a educadora física, exercícios como agachamentos, deslocamentos com carga e movimentos com trenó exigem atenção especial quando realizados sob fadiga.
“Não adianta aumentar a carga se a execução não está correta. É preciso controlar o ritmo, administrar a energia durante o treinamento e priorizar sempre a técnica”, alerta Leandra. Os intervalos de recuperação também devem ser respeitados. A recomendação vale tanto para iniciantes quanto para praticantes experientes, que podem diminuir excessivamente o descanso na tentativa de superar marcas pessoais.
Quais sinais indicam que é preciso parar?
Respiração acelerada, aumento da frequência cardíaca e cansaço são esperadas durante exercícios intensos. Alguns sintomas, porém, indicam que a atividade deve ser interrompida, como dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura, visão turva, sensação de desmaio, náusea, suor frio, calafrios, formigamento, dor aguda, confusão mental e perda de coordenação motora. “É preciso prestar atenção ao que o corpo sinaliza. O objetivo deve ser evoluir gradualmente, e não chegar à exaustão em todas as sessões”, afirma a especialista.
Como treinar com mais segurança?
A professora do CEUB destaca que a prática segura começa com uma avaliação física e funcional e deve avançar de maneira gradual. Distância, carga, velocidade e intensidade precisam ser ajustadas ao nível de condicionamento do praticante. Aquecimento progressivo, atenção à técnica, controle do ritmo e respeito aos períodos de recuperação são cuidados essenciais. A hidratação também merece atenção especial, sobretudo em cidades de clima quente e seco, como Brasília.
Roupas e calçados adequados contribuem para o conforto e a segurança, enquanto monitores cardíacos podem ajudar a acompanhar a intensidade do esforço. A educadora física reitera que esses recursos, porém, não substituem a percepção dos próprios limites nem a orientação profissional: “A pessoa não precisa realizar todas as etapas na intensidade máxima. O mais importante é administrar o esforço, respeitar a recuperação e observar os sinais do corpo”.
| O que diferencia o Hyrox do CrossFit? O Hyrox foi desenvolvido por um ex-jogador da seleção alemã de hóquei sobre a grama e bicampeão olímpico. A modalidade é frequentemente comparada ao CrossFit, cujas competições ganharam projeção mundial a partir da criação dos CrossFit Games, em 2007. A principal diferença está no formato: enquanto o CrossFit varia diariamente os exercícios e inclui movimentos de levantamento de peso olímpico e ginástica, o Hyrox mantém a mesma sequência em todas as provas. |